domingo, 26 de janeiro de 2014

UIVAR PRA QUÊ?

 
 
Os homens de bem batem
e rebatem os longos cassetetes
o bandido mais se encolhe a cada golpe
enquanto mais homens de bem chegam.
chegam e batem. Voluptuosamente batem.
Como um balé, os movimentos adquirem plástica sonoridade
Mas o bandido morre de repente. Aí já não é mais bandido,

é gente, minha gente, gente como  a gente,
com o sangue escorrendo e molhando o papel de embrulho
O que será que ali se continha?
O bandido está em Kiev e é visto por bilhões enquanto morre
surrado pelas forças do bem.
O bandido fuma crack, seu porra! e leva pisão de coturno e cotovelo no nariz
aí vem a TV e ele é amparado pelas forças do bem e levado algures.
ninguém jamais voltou de algures.
Os homens de bem, eles todos possuem gordas panças
e braços musculosos. Batem bem, tomam conta de nós,
Estamos seguros.
O Mundo é Kiev, São Paulo, Rio, Miami, Bangladesh, Paris, Londres,
milhões de outros lugares onde os homens de bem estão presentes e atentos.
Ninguém precisa se incomodar nem mesmo ganir de leve:
estamos a salvo.
(Para Allen Ginsberg, que há muito tempo me enganou com versos lógicos e sensatos)