quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

SUZANA DE MORAES

     Há um Vinícius de Moraes pouco menos conhecido, aquele das crônicas. Tempos antigos, quando a crônica diária ou semanal imperava na maioria dos jornais e das revistas brasileiras, e quase todos os nosso escritores a praticavam. Hoje estão em livros, reeditados sem parar - ainda bem!
     Em uma de suas crônicas Vinícius fala justamente de sua filha Suzana, que acabara de casar com um diplomata. O casal ia para a Europa e isso serviu de motivo para Vinicius pedir de volta  o quadro de Portinari onde o próprio Vinicius era retratado. Suzana, uma noiva de apenas 19 anos, recusou-se decididamente a ceder ao desejo paterno. Daí então a crônica(*), um pouco melosa mas muito bem escrita, que me "apresentou" naquela ocasião a minha contemporânea.
     Depois desse episódio pouco ouvi falar a respeito dela. Imagino que, após aqueles efervescentes anos sessenta e setenta, tenha vivido uma vida mais recolhida, distante dos holofotes cinematográficos,  da ribalta e das TVs. A notícia de sua morte, entretanto, apanhou-me de surpresa: alguém praticamente da minha idade, de cuja existência fiquei sabendo graças a uma crônica do seu pai escrita quando ambos -  ela e eu - éramos ainda bem jovens; cuja vida pouco acompanhei depois, até que a brutalidade do golpe militar amordaçou e mutilou tantas vocações. Sabia de uma valente Suzana,  na primeira fila das marchas de protesto, braços dados com outras personagens de nossa vida artística e intelectual. Soube depois de uma talentosa atriz de cinema trabalhando com nossos melhores diretores em filmes que fizeram época.
     E o tempo passou. Hoje, a notícia triste: Suzana de Moraes faleceu. Com ela, apesar de nunca a ter conhecido pessoalmente, foi-se um pouco da juventude, da alegria de viver. Sobra um coração já maltratado de outras faltas, entristecido e nostálgico, onde mais e mais as saudades se juntam e não aquecem mais nada.
(*) Chama-se "Retrato de Portinari" , páginas 29-31 da 3ª Edição do livro "Para Viver um Grande Amor" Ed. do Autor, Rio de Janeiro - 1965

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PROMETO: É A ÚLTIMA VEZ!



 
 
 

     Vejo que estou sendo repetitivo. Pareço obcecado com minha opinião a respeito  da natureza humana. Observo que se tornou um tema recorrente, onde discuto até a exaustão os aspectos morais da questão.  E isso é chato, muito chato.
     Então, para acabar de vez com essa reflexão sobre o que é mais do que evidente, vou terminar dizendo por derradeiro: o ser humano é definitivamente antinatural. Pelo menos os que denominamos "brancos" (coisa inexistente essa de raça, sabemos agora com certeza), tomaram um "ramal" evolutivo que necessita usar cada vez mais, de forma predatória e destrutiva, os recursos naturais até o esgotamento total dessa fonte. Mas não há, como eu imaginara, qualquer fundamento moral nessa maneira de agir. Acho que não é certo adjetivar essa conduta como egoísta, má, imoral, etc. Ela é, isso sim,  antinatural. Vai de encontro aos ritmos da natureza, desconsidera qualquer fenômeno inerente a eles,  não percebe nada mais que não seja o lucro que possa auferir de suas operações. 
      Mas isso tudo, repito, nada tem a ver com ser "mau", e outros epítetos morais desfavoráveis.
 É um comportamento intolerável, sim, pois não reconhece e muito menos quantifica os terríveis danos que causou ao meio-ambiente nesses milênios, danos esses absurdamente exponenciados nos últimos anos. Esse comportamento, sim, nos ameaça a todos com seus terríveis efeitos, muitos deles já irreversíveis, está chegando ao fim. Mas não por opção humana, mas sim por absoluta exaustão dos insumos utilizados e dos meios econômicos mais e mais onerosos em sua transformação. Mais uma vez repito, que não existe conceito moral algum incrustrado no tema.  Ao fim e ao termo, todos somos, sem exceção pueris e insignificantes.
     Talvez por isso a aparente cegueira da maioria para enxergar os cataclismas já em curso e cada vez mais intensamente, no planeta. As medidas anunciadas pelos dirigentes mundiais são claramente inócuas, uma vez que há muito o ponto de não retorno foi atingido. Agora é só uma questão de tempo. Por isso finalizo com uma expressão atribuída à Bíblia: "muitos serão chamados e poucos (pouquíssimos!) os escolhidos". Que Tupã se apiade de nós!













domingo, 25 de janeiro de 2015

DANDO O BRAÇO A TORCER




     Aos meus nove leitores, peço desculpas. Desde que iniciei esse blog venho repetindo que a cura para nossos males seria o abandono do capitalismo e a adesão a um regime que conciliasse a socialização dos meios de produção a um regime distributivo aliado à inexistência de uma forte instrumentalização estatal.  Achava - e ainda acho - que o comunismo, por uma série de fatores, necessita, para funcionar, do chamado "centralismo democrático", que nada mais é que um eufemismo que significa realmente "uma ditatura dos diabos". Desse autoritarismo neurótico nasce um "esqueleto" burocrático, monolítico e indestrutível, seja qual for o regime político/econômico. A antiga União Soviética deu lugar a Rússia, onde quem continua mandando é a casta burocrática, sob o amplo, amplíssimo guarda-chuva da ex-KGB.
     Mas essa minha convicção nunca foi inabalável e por isso mesmo, veio sendo bombardeada pelos fatos que observo nessa caminhada do ser humano rumo ao precipício da auto extinção. Acostumei-me ao caminho fácil de achar um "culpado" para os descalabros que observo no dia a dia do planeta e seus habitantes "humanos". Como a babaquice insultuosa do período militar(1), sua violência gratuita etc etc. empurraram-me e a muitos para a "esquerda", nada poderia calhar melhor que a ojeriza à velha e decadente "burguesia capitalista". Era tudo culpa desse estamento social, dizíamos, e só com sua eliminação por meios violentos traria para nós a prosperidade, a felicidade e mais um monte de "ades", todos ideais e portanto ilusórios. Oníricos.
     Mas agora concluo que o triunfador, no episódio da queda do muro e na derrocada da porção solicalista do planeta não foi o capitalismo e sim a ganância, o egoísmo e a cupidez. Nada a ver, portanto, como esse ou aquele regime, tudo a ver com a única verdade desse mundo: a lamentável e doentia natureza humana.
     (1) Sentíamos, na verdade, medo, insegurança e sobretudo raiva impotente, daquele violentíssimo  "festival de besteiras" que dominava o Brasil.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O LIXÃO DE DAVOS



                                                                   


     LEIO na internet que uma foto obtida em lixão de Gana foi premiada com muitos dólares pela Unicef. Além claro, do reconhecimento mundial do seu autor, um fotógrafo alemão chamado Kai Loffelbein. As várias localidades (ou sítios) onde pesquisei o assunto chamam a atenção para o fato de ser um lixão de "dejetos tóxicos" provenientes da Europa. A Unicef usa a foto como propaganda e divulgação para seus programas de amparo à infância em condições extremas mundo afora. Não esclarece, no entanto, o que aconteceu com o menino, que aparece erguendo como um troféu mortal um tubo CRT, sigla inglesa para tubo de raios catódicos. Espero que ele tenha conseguido salvar-se do quase certo envenenamento e progredido para, pelo menos, conseguir "encher" o uniforme futebolístico que enverga, muitas vezes o seu tamanho.
     ENQUANTO ISSO, Davos, uma estação alpina onde antigamente existiam sanatórios para tuberculosos - foi cenário do romance "A Montanha Mágica" de Tomas Mann - Hoje presta-se para anualmente em janeiro sediar uma espécie de colegiado onde se reúnem e discutem variados assuntos os mais importantes líderes mundiais, banqueiros, financistas, plutocratas e, ultimamente, vips do "jet set" e artistas de vários ramos do "show bussines" Certamente não será mencionado o lixão de gana, o fotógrafo e o menino.
     Atualmente ocorre um fenômeno com as fotos: a distância entre esta e seu objeto é cada vez maior. A fascinante história da fotografia ainda nos empolga, certamente,  temos os nossos artistas cada vez mais reconhecidos, com justiça, mundo afora. Esse elemento cultural adquiriu, a partir do século passado, status de verdadeira arte, como todos sabemos. 
     Isso tudo, me parece, trouxe um grande distanciamento entre a foto em si e o objeto fotografado. Por mais que a sensibilidade do fotógrafo seja aguçada por detalhes que a nós passariam desapercebidos, por mais que a emotividade, a cumplicidade moral, a solidariedade emocional possam ser desencadeadas no artista naquele momento único, a apreciação do trabalho fatalmente dar-se-á, nos outros profissionais, pelos aspectos técnicos, e no público em geral, através do apelo emocional que a foto tenha. Ficamos compungidos, entristecidos ou mesmo enraivecidos momentaneamente com a desigualdade social dia a dia mais gritante e então, saciados moralmente, vamos jantar.
     Certamente é o que ocorre em Davos. Jamais ocorreria aos europeus fazer dos alpes um local de despejo dos seus dejetos hospitalares, electrónicos, e outros. Jamais será tema de debates o montante de divisas que Gana e outros países miseráveis do mundo recebem para recolherem essa porcariada toda, ou o uso que fazem desse dinheiro. O lixão de Davos continua em terras d'África, os mandatários continuarão - o trocadilho vem a propósito - "se lixando" para essas contingências menos nobres do que como ficar mais e mais ricos.
     Falando nisso, não sei o que o Sr. Levy foi fazer lá, além de mendigar uns trocados benevolentes para nosotros. Melhores financistas temos, a começar pelo Sr. Abravanel, conhecido como Sílvio Santos, que dá aulas de como ficar rico a qualquer um no mundo. Senor Abravanel possui em seu DNA, há mais de quinhentos anos, esse gene ou lá o que seja. Um de seus antepassados foi o único judeu que os reis católicos, Isabel e Fernando, não consentiram que fosse expulso, uma vez que era o principal conselheiro de finanças,  um Ministro da Fazenda daqueles tempos. Mutatis mutantis...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

apostas altas Mundo afora


      Lá vem o  chinês,   subindo a ladeira! Ah, muito bem: e daí? Daí que as considerações a serem  levadas em conta pelos países com os quais eles têm contas a ajustar (e que contas!!) serão as seguintes: "meu mercado possue tamanho satisfatório para interessar às corporações chinesas? Em outras palavras, o cálculo do custo/benefício para eles deixará minha nação permanecer no planeta ou seremos exterminados?                                                                                                                                     Estou sendo sarcástico? Acho que não. Penso que devemos considerar, em relação à China e seus habitantes, alguns aspectos fundamentais: trata-se da civilização mais antiga do mundo; quando nós ainda políamos pedras, alguns pensadores como Lao Tsé, Confúcio, Mêncio, Chuang-Tsu, Sung-Tzu e outros legavam ao mundo ensinamentos que até hoje perduram; no Século XIV, ou seja, pelo menos duzentos anos antes dos portugueses, já tinham feito a circunavegação do Globo. Data dessa época  a opinião do chinês a nosso respeito (os ocidentais): somos povos bárbaros, que trouxeram ao mundo todo o tipo de torpezas e vilanias; e principalmente, somos violentíssimos, haja vista o que os lusitanos,  britânicos, franceses, alemães,  estadounidenses e por fim os japoneses perpetraram mais recentemente contra o país. O usual genocídio produzido pelas forças armadas era justificado com a mesma desculpa esfarrapada (ainda hoje muito usada contra as minorias negras, indígenas, o povo muçulmano, etc.) de que o BRANCO era portador da mensagem divina de levar a sua "civilização" a essa populações, coitadas, todas vivendo no obscurantismo pagão, idólatra e queijandos.
      Entretanto é sempre fundamental ouvirmos o outro lado a respeito dessa autoproclamada "missão": lembro de um  jovem diplomata chinês destacado, em fins do Século Dezenove, para o serviço em Paris e depois, Londres. Espantado com os costumes dos "brancos" e principalmente enojado com os cheiros que emanavam dos corpos, das comidas, das ruas, etc., escreveu várias cartas à família, descrevendo aqueles bárbaros e seus estranhíssimos costumes. A correspondência virou livro, com o título "Cartas do Ocidente". Meu exemplar, muitas vezes lido, encontra-se alhures, espero que momentaneamente (sou um otimista!). Mas como dizia Terenciano Mauro (ou será que foi outro daqueles romanos que passavam a vida produzindo máximas - e mínimas - para a posteridade?) habent sua fata libeli                                                                                                                                        Mas voltando ao chinês da atualidade e sua gana de progresso (?) devo dizer que assusta qualquer um o ímpeto como o povo e o país entraram na chamada modernidade. Cidades com 14 milhões de habitantes, há dez anos não eram mais que um vilarejo perdido no Oeste; o conurbamento de Chongquin, com sessenta milhões(!) de habitantes; Xangai com 23 milhões; a capital, Beijing, com outros 12 milhões (lá deve ser considerada "vila") e outras tantas cidades surgindo como cogumelos no Oeste chinês. A China virou outra! Virou mesmo? Particularmente, apesar de ser brasileiro e não ter nada a ver com os povos que violentaram tanto tempo aquele país, fico ansioso para saber - caso ainda esteja aqui - se continuaremos nas boas com eles, considerados como somos hoje um país fornecedor de matéria-prima (ferrro e outros minerais) e produtos agrícolas e de origem animal. Falar em agrícola, lembrei-me de fruta e por associação, de uma certa empresa americana que já já vai perder o status de lider do mercado mundial de celulares, fablets, e outras geringonças eletrònicas. O Vale do Silício vai surtar!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

VERANICO DE JANEIRO



         
         Dado que o poema não me sai,
conformado, vou cultivar bonsai.
 
janeiro/2015