segunda-feira, 22 de novembro de 2010

POESIA É MUITO CHATO (final)


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Duas da manhã as solidões se esbarram nas ruas tristes e silenciosas. Daqui seguia o jovem revisor, de lá chegava o magro poeta. Que cruzou com o primeiro, saudou-o com um boa-noite firme e sonoro e continuou seu caminho. E, como sempre ocorre com os poetas, sabendo perfeitamente onde ia mas com a lúcida percepção de que não tinha a menor idéia se ia chegar. A noção de onde se quer ir, quase todos temos; já o convencimento da incerteza do chegar, esse só mesmo com a idade. Tal noção causa aos poetas a mesma resignação do lutar com as palavras. É uma luta de amor? É dor e amargura? É apenas trabalho? Nada disso ocorria, entretanto, ao jovem operário do jornal. Em sua orgulhosa humildade dos seres tímidos, corria para casa onde a mulher estremunhada ouviu aquela história maluca de um ônibus a toda e o poeta vizinho que passeava de madrugada cumprimentando com um sonoro boa noite, sem saber que ia virar estátua de banco da praia.(Brasília, agosto 2010)

domingo, 21 de novembro de 2010

POESIA É MUITO CHATO
(Continuação)

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Calhou que era o seu ônibus, nem parara direito no ponto e aquele barulhão de lata se soltando. Subiu, havia uns quatro passageiros, o trocador sonolento, o motorista adrenalina pura. Foi um pulo, logo a Cinelândia havia ficado para trás, o Aterro corria desabalado, aquelas curvas fechadas do Morro da Viúva metiam medo, nunca soube de nenhum que tombasse, vai que aquele, justo aquele ia ser o primeiro, parecia que o maluco do chofer tinha parte ou estava tomado, também podia ser que fosse pinga, Botafogo, Túnel, cortar a Praça Demétrio Ribeiro flechando rumo à Barata Ribeiro, de novo parecia que...


Os sinais todos verdes, ou era assim que o motorista os enxergava. Puxou a cordinha, esse aloprado nem vai ouvir ou só resolve parar lá na General Osório. Sofreou o monstro bem no seu ponto, o maluco saudou-o com o ar mais normal, um boa-noite sorridente de quem está em paz com a vida, haja entender! Nem quinze minutos durou o trajeto, talvez uns vinte quilômetros do jornal ao Posto 6. De longe a careca brilhava.


Já sabia que o poeta era seu vizinho, nem cinqüenta metros entre os dois prédios. Uma vez por semana ele ia até a garagem do edifício onde ele morava, vinha de longe um parente do porteiro, vendia carnes, comprava dois rins para a cadelinha. Era sempre de manhã, a claridade da rua fazia o interior semelhante a uma caverna escura. Os vultos e a algaravia guiavam seus passos, acabava acostumando a visão. Começava a distinguir uma que outra pessoa, aquela altura conhecida de vista, a carrocinha que se resumia o açougue clandestino lá estava, quatro ou cinco seres em volta, nunca o viu. Deparara-se com ele em uma outra ocasião, imprevisto lugar inesperada hora. O Hospital Silvestre tinha a mais linda vista da Baía de Guanabara, o poeta esperava na portaria, o cenho carregado, alguém da família, quem sabe. Seu primeiro filho acabado de nascer e o outro ali, provavelmente a se despedir de alguém.


Outra vez foi na praia: naqueles tempos os bares na avenida possuíam aprazíveis varandas, com cadeiras e mesas de vime, em um deles o pessoal de Minas fazia ponto. Lá estava aquela conhecida magreza, o terno escuro, o semblante esfingético. Sozinho em uma das mesas, teve vontade de sentar, pedir um chope e começar uma conversa lembrando aquela vez, há muito tempo, em que estivera em Itabira, ele e um amigo de lá, filho do... conhece? Tomaram banho de cachoeira, o ribeirão corria entre enormes pedras e de vez em quando despencava dois, três metros, a água rolava espremida, jatos e turbilhões, hidromassagem gratuita e ainda não nomeada como tal. Era só um rio da roça, dois meninos adolescentes, um sol de rachar. Talvez se pudesse chamar felicidade. (CONTINUA AMANHÃ)

sábado, 20 de novembro de 2010

POESIA É MUITO CHATO




A careca brilhava. Ela mais os pequenos óculos redondos conferiam-lhe um ar circunspecto, quase triste. Naqueles tempos em que as pessoas faziam cerimônia umas com as outras, isso bastava. Entendiam o recado e mantinham distância. Aquele canto do bairro, no final da praia, passava então a ser um lugar bem seguro, quase um esconderijo.

O jovem revisor do jornal, ainda funcionando no “Castelinho” da Avenida Rio Branco 110-112, vinha tarde da noite para casa. Às vezes ainda mais: calhava de o teletipo na redação começar a pipocar - algum maluco fizera um desatino qualquer do outro lado do planeta – logo vinha a ordem: pára tudo; segundo clichê! Ele e mais vinte colegas ficavam fumando, tomando café, fumando, contando piada, fumando e esperando descer o telegrama, já retrancado e com um “lead” que, no mais das vezes, mostrava para quem tinha um mínimo de experiência o cansaço e a pressa do redator em se ver livre daquilo.

Então descia a matéria: um pequeno desvaire lá no cu-de-judas, mas contendo os ingredientes clássicos que, bem editados, ajudavam muito a vender jornal: uma coisa tola, quando objetivamente considerada, quase uma novela de folhetim e seus ingredientes pueris. Na redação já se sabia que não ia passar disso: nada que justificasse tanta gente recebendo hora extra. O velho Ribas mandava todos para casa, ficavam só ele e mais um, nas oficinas dois linotipistas mais experientes a postos em seus dragões fumegantes. O resto, aquela azáfama. Duas dezenas de homens, algumas poucas mulheres, muitos nem mais tão jovens. Parecia saída de colégio.

Alacridade breve no início da madrugada, a avenida Rio Branco voltava a ser um bêbado perdido do último transporte, um monte de papel sujo indo daqui para lá, de lá para aqui. Às vezes o vento vinha do Obelisco, de outras encanava na Praça Mauá, resolveram fechar com umas grades a Galeria dos empregados do Comércio, de manhãzinha eles tiravam para o povo poder passar, o bonde acabara há pouco, os trilhos começaram a ser retirados, depois deu preguiça e foi mais fácil cobri-los com uma grossa camada de asfalto. Daí a pouco brilhavam novamente ao sol, um perigo para os pneus e a dirigibilidade dos automóveis. Os ônibus elétricos entraram em campo, logo foram apelidados de “chifrudos” pelo povo. Vira e mexe um dos chifres saltava fora do fio, ficava aquela imensa haste metálica balançando ameaçadoramente, o trocador descia, havia duas carretilhas na traseira, às vezes era necessário usar de muita força para desenrolar o cabo e colocá-lo no lugar.

O Bobs do Avenida Central passou a funcionar a noite toda, um dos melhores era o sanduíche de pasta de atum, era chique dizer-se “atum sálad”. Os balconistas divulgaram o neologismo híbrido gritando o disparate para os sanduicheiros, o jovem revisor logo aprendeu e ganhou a simpatia do pessoal: de vez em quando, a porção era um pouco maior que as demais.   (Continua amanhã)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O TEMPORA...

     Está novamente aberta a Temporada de Caça ao Cargo. Peralvilhos antigos, velhos e conhecidos casquilhos, todos se aprestam. Uma palavrinha aqui, um jornalista amigo ali, uma notinha plantada, um boato... Nesses momentos lembro Tancredo Neves Presidente eleito, a um desses curiosos espécimens humanos, que lhe dizia estar muito assediado por amigos e correligionários que davam sua nomeação para um ministério como consumada, convite feito pelo próprio Tancredo. E perguntava a este o que deveria responder aos outros. "Diga que você foi convidado por mim, meu filho, mas infelizmente não pode aceitar"...
     OUTRO que vêm-me à mente é o certeiro Artur Azevedo, um cronista bastante esquecido, mas que teve seu momento de Estanislau Ponte Preta,  e fama talvez ainda maior do que deste último, no Rio de Janeiro de fins do Século Dezenove. Admira-me sobremaneira a atualidade de seu epigrama "Velha Anetoda":

"Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? -

Penetrando na sala o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo! -"

      Cá para nós, não parece dirigido a certos personagens da cena política dos dias de hoje?


HAI-KAI




PRIMAVERA

trilha de terra

caminho enganalado

flores de flamboyant

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PALAVRAS...

          Imagens. Quando um ser humano genial como o argentino Quino consegue exprimir em singelas imagens o que talvez não conseguiria dizer em um "post" imenso, calha mais é publicar seus cartoons, e dizer: modestamente, assino embaixo!








                                                                           




Paulo

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E A FRANÇA, MAIS UMA VEZ, SAIU NA FRENTE...

EM 1914 o "Almanaque Parisiense" (que nada mais era que um dos popularíssimos folhetos de propaganda de laboratórios farmacêuticos, antigamente distribuidios nas boticas) publicou o anúncio abaixo reproduzido. O assunto só agora volta à baila, com o referendo californiano sobre a liberação da canabis e - coisa de menos de vinte anos -  com a permissão de uso em vários países europeus.
     Sei não, mas o que me parece é ser um daqueles remédios para todos os males, mais conhecido como PANACÉIA. A maconha provoca um estado eufórico transitório e, por isso, é  prazeroso usá-la. E tenho dito.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

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                                                            APÓS O CARNAVAL



Começo das aulas, toda aquela atrapalhação. Onze anos, primeiro ginasial. No lugar de uma professora, agora eram muitos. Cumpria saber o nome de cada um, principalmente guardar-lhes as idiossincrasias, modos, manias, o que fazer, quando falar, responder a chamada a cada uma das aulas. estava muito inseguro com tanta novidade.


No primeiro intervalo – era preciso prestar atenção e jamais voltar a dizer recreio – espantou-se com o número de alunos mais velhos e a algazarra que produziam. Logo percebeu que ele e os demais colegas do primeiro ano eram invisíveis. Sequer as garotas da turma, algumas já botando corpo, eram olhadas.


O pai fora com ele no início. No primeiro dia chegou a entrar na escola e ir até o grande pátio interno. Depois só o acompanhava na viagem de ônibus, o percurso durava mais de uma hora. Finda a primeira semana, passou a ir sozinho. Seguia até o ponto próximo a sua casa, esperava o coletivo que ali ainda estava bem vazio, escolhia um lugar na frente para ir cismando até que todos aqueles quilômetros findassem e fosse sua parada. Gostava mais da volta: ia andando por uma estreita rua onde só pedestres circulavam admirava as vitrinas, tentava ler os nomes enquanto desviava da multidão que ia e vinha pela mesma via. Imaginava de onde haviam vindo todas aquelas mercadorias de uma imensa loja, já quase no final: imensos vasos com desenhos impressos na cor azul, caixas com filigranas, xícaras, copos, pratos, talheres e uma infinidade de outros objetos cuja utilidade nem desconfiava. Atraía-o a policromia exuberante que fazia brilhar as três ou quatro portas do grande empório. O nome invocava viagens, lugares misteriosos, gente esquiva: Casa da América e China...


Então a ruazinha se abria em outra muito mais larga, cheia de bondes e ônibus. A cacofonia era um contraste brutal com o relativo sossego de antes. Havia um sinal luminoso que sempre ficava amarelo e logo vermelho assim que avistava o menino,. Ele passou a notar a evidente implicância do semáforo. Parava na beirada da calçada e logo a multidão se formava e ia forçando-o cada vez mais para a frente: dava um ou dois passos no leito da rua, ficava atento principalmente aos bondes que não tinham como desviar. Aquela massa de gente espremida ia pouco a pouco se derramando por toda a parte como um latão de leite derramado, o apinhamento tomava conta do caminho. Então o sinal ficava verde, aquele troço de pessoas ia correndo ao encontro da outra multidão que vinha do lado de lá.


A enorme loja da “Drogaria Granado” ostentava com orgulho sua produção em vitrines impecáveis: sabonetes, talcos, polvilho antisséptico. Lá dentro os balconistas azafamados, um burburinho crescia no ar mas logo arrefecia, já estava chegando no prédio da esquina, ali ficava o Instituto do Açúcar e do Álcool, achava o nome imponente, não sabia porque.


Logo o cheiro de maresia tomava suas narinas, estava na grande praça onde ficava o ponto inicial do ônibus para a sua casa. Do outro lado um enorme edifício, o entreposto de pescado. no mar havia um atracadouro protegido onde balouçavam inúmeros barcos de pesca ostentando nomes como “Jandira”, Estrela Dalva”, “Januário- II”, “Esmirna”. Perto dali partiam as lanchas mas estas só iam até um outro local da ilha, muito distante de casa. No meio da praça um obelisco em forma piramidal, a base entretanto era pequena em relação à altura, um monumento, um dia o pai explicou-lhe, homenagem a alguma coisa remota e esquecida de quase todos.


Depois de um tempo descobriu na lateral do largo uma passagem em forma de arco, com a abóbada em pedra de cantaria. Houve um Teles, aquele havia sido seu arco. sorriram quando ele disse essa tolice com ar sério, intelectual.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

T I R I R I C A
    


     DUAS coisas ressaltadas em nós, brasileiros: o caráter extremamente preconceituoso da sociedade (o que é sinônimo de intolerância e obscurantismo), e mais a notável falta de memória.
     Ainda adolescente em Belo Horizonte, na década de 50, come-
cei a ouvir falar em um certo "Chico Fulô", misto de palhaço de circo e lutador de "catch" que na época atraía multidões para o ginásio esportivo da antiga feira de amostras. Eram lutas encenadas, onde a turma dos "mocinhos" lutava contra a dos "bandidos", tudo debaixo da torcida febril dos milhares que compunham a ululante platéia.
     Um dos que faziam parte da "turma do bem" era o "Chico Fulô", que caiu nas graças da população e angariou enorme popularidade. Não deu muito tempo e lá estava ele, agora com seu nome real de Waldomiro Lobo, candidatando-se a vereador. Reações iradas, verdadeira cruzada em nome "da moral e dos bons costumes". Waldomiro Lobo só não foi chamado de "bonito" (coisa que aliás não era, muito pelo contrário): todos os xingamentos, epítetos, epigramas, etc. etc. publicáveis eram vistos diariamente nos jornais. Ridicularizado de todas as formas e modos possíveis, nosso amigo foi eleito com estrondoso número de votos.
     Não me recordo muito bem do que ocorreu depois, pois logo  mudei de lá e deixei de acompanhar o dia a dia alterosiano. Agora, pesquisando na internet para escrever este post, vi que Waldomiro Lobo teve uma carreira na política, pois chegou a deputado estadual. E continuando a pesquisa descobri também que ele dá nome a uma importante avenida da cidade. Sinal que, de um ou outro modo, sua vida teve significado para Belo Horizonte e seu povo.
     Essa rememoração foi provocada pela celeuma que despertou a candidatura e posterior eleição do Sr. Francisco Everardo Oliveira Lima ao posto de Deputado Federal por São Paulo, com a maior votação de todos os tempos. Senhor talvez apedeuto, que responde pelo "nom de plume" (o trocadilho é intencional) de "Tiririca", e cuja profissão é ser palhaço.
     Repórteres de uma revista semanal investigaram a suspeita de analfabetismo do  então candidato (e agora deputado eleito). Fizeram tal sucesso que a pauta foi estendida pelos números seguintes, enquanto a população se eriçava com a verdadeira novela que os profissionais da imprensa criaram e alimentavam:  "Tiririca" sabe ler e escrever? Não percam o próximo capítulo!
     Enquanto isso, cá do meu canto, eu também ia, dia após dia, ficando mais e mais "eriçado" com a  calhordice de tudo isso:  no fundo no fundo o que mais uma vez ficava demonstrado (como se eu já não tivesse certeza disso...) a estultice do ser humano: querer examinar as condições da árvore pelas folhas! Pois da mesma forma que a chamada Lei da Ficha Limpa é uma pseudo panacéia, não vai ser o fato de o Palhaço Tiririca ler ou escrever que o condicionará a ser um bom ou mau parlamentar. E, é fundamentalmente óbvio que a forma de se aferir a integridade moral dos membros do Congresso Nacional não é criando empecilhos e "pegadinhas" mas sim acompanhando as votações dos projetos,  informando-se a respeito das atividades do "seu" parlamentar. Hoje é bem fácil fazer isso:  há inúmeras organizações e centenas de sites na internet voltados para o assunto. E bem se pode mandar frequentes mensagens eletrônicas com cobranças e repreensões a eles. Tudo isso dá mais trabalho e demanda uma dedicação constante, mas é o dever do eleitor, em uma democracia. Reclamar, criticar, atribuir a outrem a responsabilidade pelo controle e pela vigilância da coisa pública, não faz uma nação amadurecida e digna. Parece coisa de criança embirrada. 
     Espero que o Sr. Francisco Everardo se revele um bom deputado, e que eu viva ainda o suficiente para um dia ler em uma placa de informação na cidade de São Paulo: "Avenida Tiririca".  






                                         
       

CHOVE, CHUVA!

      A CHUVA chegou para valer aqui no Planalto central. Até domingo ainda existia aquele caráter de "chove não molha": caía um que outro pingo, um temporalzinho de curta duração e só. Era só cavar um palmo e o chão mostrava a seca de quatro meses ser ver um pingo de água.
     Pois a partir de ontem, segunda-feira, isso mudou. Começou mais ou menos três da tarde, prolongongou-se noite a dentro e madrugada afora. Hoje pela manhã o solo já estava empapado, as plantas exibiam suas cascas querendo criar bolor, as folhas com milhões de gotículas.
     Acho bom. Já falou o poeta, "quando chove é que faz bom tempo" e é verdade. Um que outro incômodo, mas essa água que vem dos céus é nossa verdadeira mãe, a responsável por vivermos e nos multiplicarmos. A bênção, Senhora Chuva!

domingo, 17 de outubro de 2010

B E L E Z A



                                            
MINHA AMIGA VERA BRANT





                                             


                                                 Domingo é dia de ser feliz. E certamente estou entre aqueles “happy few” ainda mais felizes, porque podem chamar Vera Brant de amiga. E é um regalo do seu generoso coração  partilhar com seu próximo os seus afetos. É de amor mesmo que falo, pois quem não consegue se extasiar perante essas imagens?
                                                 Tenho certeza que, quando de volta à casa ela mais uma vez se encanta com essa verdadeira dádiva da natureza, especialmente neste início de primavera, conforme vocês podem ver. É convívio antigo, mas estou certo que, a cada instante, se renova. Não sei se os dois chegam a conversar, mas aposto que de há muito existe uma cumplicidade, um sorriso maroto de parte à parte, um discreto cumprimento entre os dois, uma fraternidade, um amor especial. E o que não existe é ciúme: mal abri o computador e lá estava a mensagem: “olha só que beleza!” Usufruir partilhando. Eis o verdadeiro caráter do ser humano completo.

sábado, 16 de outubro de 2010

REFRÃES DO VOVÔ PAULO

"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem" (Provérbio oriental)
"Quem comprar o que não precisa, venderá o que precisa" (Provérbio árabe)
"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute." (Sabedoria Oriental)
"A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros." (Provérbio Chinês)
"Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele" (Provérbio português)
AOS SÁBADOS, POESIA



                                                                                             
                      
VIDA
"A mãe que faz à filha a trança" (Miguel Torga*)

A mãe que faz à filha a trança,
ao pé do grande, antigo espelho oval
traz dolorida na lembrança
a mesma imagem de outrora, no mesmo cristal.

No devaneio, vê-se na pequena
sentada na banqueta; e ao mesmo tempo
repetida nas rugas, que a idade impõe
que em seu rosto se deponham afinal.

Vê-se também, a si própria: já foi ela a filha.
Em tempos bem remotos era a criança
e outra mão tecia, de sua vez, a sua trança.

Agora, olhando a si mesmo refletida
com este mesmo e outro, olhar de sempre
de mirar tão triste, tão igual.

* Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, poeta e escritor português (N.1907- F.1995)
O TUPI EM SÃO PAULO

     A Professora Vera Lucia Dias, autora do livro que dá título a esta postagem, mandou-me simpático e-mail agradecendo a referência a ele. O que é bom, útil e bem-feito a gente elogia, cara professora!
     E conforme vocês podem ver abaixo, ela também explicou o que significa "Apacê", nome da rua no Jabaquara onde fica a Editora Plêiade:

Olá Paulo,

Tudo bem?
MUITO OBRIGADA pelo texto e divulgação do livro "O Tupi em São Paulo"!
Abraços,
OS. Apacê significa montículo (pequeno morro), saliente, destacado.
Abraços,
VERA LUCIA DIAS
guia da cidade
vera@passeiopaulistano.com

      Aliás, o nome dessa Editora avivou antigas lembranças do Vovô Paulo: década de sessenta do século passado, Jean Paul Sartre, existencialismo, etc. etc. Era bom ter vinte anos... quem se interessar por essas pesquisas (hoje em dia mais no âmbito da arqueologia!) dêem uma olhada na wikipedia. Jacques Schiffrin, Gide, está tudo lá.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PARÊMIAS DO VOVÔ PAULO
"Quem ara e fia, ouro cria"
"O hóspede e o carneiro aos três dias tomou cheiro"
"Quem em novo não trabalha quando velho come palha"
"Quem conta com panela alheia arrisca-se a ficar sem ceia"
"Com pão e vinho anda caminho"
               (Da obra "LITERATURA POPULAR DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO", de Joaquim Alves Ferreira, Vol. IV - 1999




EPHEMÉRIDES

     Ih! meu patrão, o Vovô Paulo, foi dormir mais cedo e me pediu que fizesse hoje a notação dos fatos do dia. Logo eu, que faço uma confusão danada com nomes e datas! Mas chefe é chefe, então vamos lá: em 19... não quero dizer, no dia de hoje, em 1864 aquela princesa se casa no Rio de janeiro com o príncipe (é claro que foi com o príncipe, sua tonta! Ia querer que a princesa se casasse com o motorneiro?), aquele francês, como é que ele se chama mesmo? Ah, não era príncipe, mas conde: Conde D'Eu. O nome da princesa era Áurea, não era? foi aquela que assinou depois a Lei Isabel, não? NÃÃOOO?? Ah meu Deus eu disse que fico na maior confusão!
     Então vou parar por aqui senão amanhã estou sem emprego! Só mais essa informação, que eu pesquisei sózinha sem nem o chefe mandar: o nosso calendário, esse que usamos no mundo todo salvo poucas exceções, está fazendo anos! Hum, deixa eu ver... 58e... menos dois mil e... ahá! 428 aninhos! Nem parece, caro Gregoriano, você tem sido tão útil à humanidade que vai ver isso fez com que os anos não o marcassem e... ora, que bobagem a minha! Claro, os anos não vão marcá-lo pois você é o pai deles! E com essa, CHEGA!
Ver imagem em tamanho grande(a) Maria Duína, secretária digitadora.




quinta-feira, 14 de outubro de 2010





ENECOARUCA
      Vera Lucia Dias é uma guia cultural, especializada na cidade de São Paulo. Bacharel em Turismo, com pós-graduação em Globalização e Cultura pela Universidade Paulista - Unip, igualmente é dessas pessoas que bota fé no que faz. Colheu de suas andanças pela capital paulista talvez a mesma curiosidade de muitos, a respeito dos nomes indígenas que nomeiam grande parte do lugares: ruas, praças, bairros, etc. Então foi atrás de aplacar sua sede de conhecimento e com isso acabamos lucrando, todos nós. É que de suas pesquisas veio à lume"O TUPI EM SÃO PAULO" - Editora Plêiade, SP (2008). Obra de poucas páginas mas de grande conteúdo, onde aprendemos o que significa Anhangabaú, Anhembi, Apinajé, Butantã, Iguatemi, Congonhas, Itaquera, Iguatemi, Mooca, Moema, Tamanduateí,  Tucuruvi e tantas outras. Comprei meu exemplar, ciumentamente guardado, não lembro mais onde, mas aconselho uma ida até o site da autora: http://www.passeiopaulistano.com/ onde está à venda. Há também outros informes úteis sobre passeios guiados na "Aldeia do Peixe Seco" (pois segundo aprendi no livro, é o significado de "Piratininga") 
     Vera Lucia ficou devendo em uma próxima edição foi o significado do nome da rua onde fica a Editora Plêiade: "APACÊ". Já o bairro, Jabaquara, li e vou contar: quer dizer "lugar de fugitivos", ou quilombo
PS - Ah, e o título deste post? Quer dizer, "boa tarde"!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

APOTEGMA DO DIA:                
                                                                          "TREINA na barba do tolo o barbeiro novo"
A M É R I C A !
Um jovem marrano (judeu convertido à força ao cristianismo) de apenas 23 anos, chamado Rodrigo, originário da cidade de Triana, Espanha, foi quem primeiro avistou a terra americana. Após os Vikings, como fazem questão os americanos do norte. Segundo assinala o Barão do Rio Branco em suas "Ephemérides" era uma noite calma e enluarada, quando o vigia avistou um trecho de areia branca e deu o alarme. Romântico...
              Quem quiser mais "clima", sugiro ler ao som da obra "Iberia", a suíte espanhola de Isaac Albeniz. Justamente a música chamada "Triana". Tem em piano (Rosa  Torres-Pardo, Rafael Orozco e outros e outras) violão (Narciso Yepes, Segovia, Paco de Lucia, e mais).
               Livros? Nada melhor que ler da pena do próprio Colombo o relato de suas vicissitudes e triunfos: "Diários da Descoberta da América" edição da L&PM, traduzido por Milton Persson, introdução de Marcos Faerman e notas do "Peninha" (Eduardo Bueno). Na realidade o nome da obra foi certamente inventado muito depois do autor, uma vez que este jamais soube sequer da existência do florentino Américo Vespúcio. Muito menos da "Comédia de Erros" levada a efeito em Saint Dié, povoado nos montes Vosges, Leste francês. por Yacomilus e outros. A respeito há um saborosíssimo ensaio de ninguém menos que Stefan Zweig chamado "Americo - Uma comédia de Erros na História" - tradução de Cláudio G. Hasslocher (Editora Guanabara, 1943). Pesquisem nos sebos que você acham.
               Outras obras que podem interessar: "O Português Cristóvão Colombo Agente Secreto de D. João II" de Mascarenhas Barreto. Parece mais enredo de filme "b", mas tem gente que gosta... E mais ainda, não podemos deixar de falar a respeito de Eduardo Galeano e sua visão do paraíso destroçado: "Memória do Fogo", a trilogia do sofrimento dos povos autóctones das américas: "Nascimentos", "As Caras e as Máscaras" e "O Século do Vento". Quem for preguiçoso pode ler "As Veias Abertas da América Latina" quase um resumo dos três volumes. Vai perder uma obra maravilhosa mas...
Rodrigo de Triana
foto de Peter van der Krogt/2002
Praça da SS Trindade - Triana, Sevilha - Espanha

domingo, 10 de outubro de 2010

HAIKAIS DO INÚTIL DOMINGO

I
Quem é que sabe
a dimensão do abismo
a solidez do ar?

II

Todos os dias
são vésperas do amanhã:
Chegam, são passado.

III

INFÂNCIA

balão japonês
resplendia na noite:
tão breve fulgor!

(foto de Deny Paula Barros Pereira)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ela escrevia desse jeito:

"Perfeito é não quebrar
a imaginária linha

Exacta é a recusa
E puro é o nojo.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

De Tarde

Prestes a ir-se embora o sol.
De cima do pau seco acauã capricha,
que mãe-da-lua vem depois.
Caipora sonha bons sonhos no liame de camacã
que a preguiça é uma arte
e cultivar o ócio a filosofia dos mestres.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

NA MINHA MESA DE CABECEIRA (2)

SEMPRE OCORRE em listas: esquecimentos e omissões (in)voluntárias. Estas, Freud explicaria, talvez. Esquecimento pode ser esquecimento mesmo. O fato é que me lembrei de um "livrinho" que havia sumido da minha cabeceira e andava meio esquecido. Por acaso o encontrei logo depois de haver divulgado a lista: pecado! E logo o volume editado pela Global, dentro da coleção melhores poemas, dirigida pela Edla Van Steen. E a seleção dos poemas, bem como a nota introdutória da Profª Luciana Stegagno Picchio: Imperdoável!
     O autor do "livrinho"? O prefácio diz que é um "poeta 'diferente' nos dias da sua estréia, católico surrealista, barroco, metafísico, visionário, insubmisso" ora, só podia estar falando de Murilo Mendes, não é mesmo? É uma preciosidade, vejam:
"A infância vem da eternidade.
Depois só a morte magnífica 
-Destruição da mordaça:

E talvez já a tivesses entrevisto
Quando brincavas com o pião
Ou quando desmontaste o besouro.

Entre duas eternidades
Balançam-se espantosas 
Fome de amor e a música:
Rude doçura,
Última passagem livre.

Só vemos o céu pelo avesso."

                                                                                                                                     

     Isso foi uma mínima amostra do que contém o livro. voltou correndo para a minha mesa, para ficar, desta vez, por uma boa temporada!
     E para encerrar a nota, não posso deixar de comentar um livro já de 2009 (embora a edição da Nova Fronteira seja de 2004): Miguel de souza Tavares, o autor, é Português, relativamente jovem e tem (para mim ao menos) uma característica fundamental: é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen a maior figura da poesia portuguesa atual.
     Pois Miguel escreveu um best-seller desses cujas tiragens se contam às centenas de milhares cada uma. Chama-se "Equador" e conta a história de São Tomé e Príncipe (duas pequenas ilhas na costa ocidental da África. Embora a meu ver o romance tenda um pouco aos superlativos do romantismo (e fico imaginando se isso não foi proposital por parte do autor, tendo a ver com o tema, o período histórico da trama, etc etc.) é muitíssimo bem escrito. 
     E dá para perceber (pelo menos fiz essa analogia) símiles e mais símiles com certas situações que vivenciamos ainda hoje no Brasil. Existem brasileiros que são "a cara" dos piores vilões do livro. Daí as malquerenças e os ódios lá narrados se justaporem de maneira  tão impressionante ao que vemos aqui, ao menos em alguns círculos e situações. Certamente bricabraque, antes de BRIC. 





      

domingo, 16 de maio de 2010

EPHEMERIDES DO BARÃO

SÁBADO, 16 de maio de 1818 - "Decreto de D. João VI aprovando as condições para o estabelecimento de uma colônia de Suíços (do cantão de Friburgo) na real Fazenda do Morro Queimado. A colônia tomou o nome de Nova Friburgo."
Parabéns Nova Friburgo! 192 aninhos... a original suíça tem um pouco mais: 853 anos! (imagem: site da Prefeitura Municipal de Nova Friburgo-RJ)

sábado, 15 de maio de 2010

NEVE EM CURITIBA

QUINTA-FEIRA, 17 de julho de 1975. A empregada bate na porta do quarto, demoro a entender sua fala, a voz alterada pela excitação. O quê? Neve? nevando? Onde? Saio do quarto e do janelão da sala vejo uns pingos brancos caindo suavemente no chão do jardim E não é que era neve!
     Logo um tapete branco cobria tudo lá fora; saímos todos, e parecia que o resto da população havia tido a mesma idéia: as ruas estavam cheias de carros, uns buzinando para os outros. Vista do alto da Rua XV, na Praça das Nações, a cidade reluzia: era uma festa. Todos estávamos encantados, a não ser um bebê de menos de dois anos (hoje uma jovem senhora residente em São Paulo-SP), que logo demonstrou em alto e bom som que estava com muuiiitooo frio e de mau-humor.
     No Centro a história não foi diferente. Carros desfilavam com bonecos de neve na capota, alguns com a camisa do Coxa, outros do Atlético: rivais até debaixo da neve!
     E nevou ainda mais um pouco depois das onze da manhã, e outra vez à tarde. Então o sol foi baixando e o frio foi ficando brabo; tão intenso que na manhã seguinte os beirais do telhado estavam cheios de estalagmites da água que havia começado a escorrer e com os -6°(juro!) da madrugada congelou de novo, formando o lindíssimo  espetáculo.  
     Até hoje meu filho mais velho não me deixa esquecer: estava completando cinco anos naquele exato dia: isso sim que é efeméride! 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

NA MINHA MESA DE CABECEIRA

ESTÃO "Ao Correr da Pena" - José de Alencar;  "Relato de Um Certo Oriente" - Milton Hatoum; "Respiração Artificial" - Ricardo Piglia;  "Danúbio" -  Claudio Magris

JÁ ESTIVERAM  "Canibais - Paixão e Morte na Rua do Arvoredo" - David Coimbra;
"Austerlitz" e "Vertigem" - W.G. Sebald;  

ESTARÃO "Orfeu Extático na Metrópole - Nicolau Sevcenko;  "Caim" - José Saramago

M E N I N O

Fugia de casa
subia no morro
sumia no mato
o Sol! O Sol!
Fazia uma pipa
na linha cerol
de cola e de vidro
moído no trilho
da linha do bonde.

Uma vez foi um deles
que ia virando
saindo dos trilhos
por causa do pó.
Meu pai riu tanto
quando escutou!
Mas é que foi Zico
amigo do peito
quem me contou.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

EPHEMERIDES DO BARÃO

SEM DÚVIDA a mais importante é a que marca 122 anos da assinatura da Lei Áurea. Infelizmente até hoje ainda não muito bem compreendida por certos fazendeiros...

COMEMORA-SE da mesma forma a criação, por D. João VI, da "Impressão Régia", hoje Imprensa Nacional. Há 202 anos. Curiosamente aniversário - 41 anos - do Príncipe. Foi um dos mais importantes presentes que o Príncipe deu  a até então colônia portuguesa (só virou "Reino Unido a Portugal e Algarves em 16/12/1815), que perdera há muito sua importância pelo esgotamento das minas de ouro e diamantes.

terça-feira, 11 de maio de 2010

P O E S I A

                         M U R O S

Começo a construir um muro.
sou um ser de paz
mas temo a casa ao lado:
de lá não vem nada de bom

alicerce reforçado
uma altura que  propicie
um não ver a estranha face do outro:
fecho de ouro.

Descanso, enfim.
Ligo a TV
as notícias são péssimas:
americanos emparedam o México
Israel  cava fosso e ergue muralha.
Que mundo neurótico, oh Senhor!

EPHEMÉRIDES DO BARÃO

ONTEM, dia 10 de maio, há 221 anos:
     "Tiradentes, comprometido na conspiração de Minas, é preso no Rio de Janeiro, em uma casa da Rua dos Latoeiros, hoje de Gonçalves Dias, onde se ocultara"
     PARA espanto dos historiadores e horror dos mineiros, vou dizer o que eu acho: ainda bem que a chamada "Conjuração Mineira" (outros dizem Inconfidência) foi suprimida! Caso os conspiradores tivessem levado, muito provavelmente o Brasil seria outro: esquartejado como o pobre Alferes Joaquim José da Silva Xavier da gravura. Provavelmente quatro ou cinco países, sem a menor expressão, guerreando uns contra os outros. Minas, Bahia e Espírito Santo formariam uma república, Rio de Janeiro, São Paulo e os demais estados do Sul outro país, o Nordeste um terceiro e o Norte o Império do Grão-Pará, com a mais que provável tomada do Maranhão. O Centro-Oeste ficaria à deriva. Estaríamos no sal...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

AQUELA COISA DE RUMPELSTILZCHEN

NA ISLÂNDIA houve a erupção vulcânica que fechou durante dias os aeroportos de quase toda a Europa, causando o caos; na Grécia a crise financeira daquela economia, mais ou menos do tamanho do Estado do Espírito Santo, quase acabou com o planeta. O que tem a ver uma coisa com a outra?
     Bem, então eu recebi um e-mail onde me ensinavam a pronúncia correta do nome do vulcão. O link era de um site da BBC, onde uma mulher chamada Ingibjorg Thordardottiv ensina a pronúncia do nome do vulcão; vejam em
http://news.bbc.co.uk/go/em/fr/-/1/hi/world/europe/8637673.stm
     Aí então, logo depois de receber a mensagem e tentar pronunciar o nome do vulcão (foi bem difícil, mas devo ter conseguido) ocorreu o seguinte: hoje o mundo amanheceu com a notícia de que a União Européia vai despejar quaquilhões e mais quaquilhões em cima dos gregos para interromper a "sangria desatada"; e a intensidade da erupção diminuiu lá na Islândia!     CONCLUSÃO -  fiquei pensando com meu zíper: qual a relação desses dois fenômenos? Claro! Só podia ser isso! Irmãos Grimm!! Lembram daquela lenda medieval que eles transformaram em "história infantil" (cruzes!)? o "Rumpelstilzchen" ou "Rumpelstiltskin"? No conto a filha do moleiro casa com o príncipe, mas o duende que a ajudou a fiar palha e transformá-la em ouro exige como pagamento a entrega do filho dela: a não ser que ela adivinhe seu nome e o pronuncie em voz alta. Ela consegue fazer isso e o duende explode de raiva.
     FICOU CLARO? Todo mundo que, como eu,  recebeu o link e ao menos tentou pronunciar em voz alta o nome do duende vulcânico da Islândia contribuiu para que ele sossegasse e a Grécia entrasse nos eixos!! Foi isso que aconteceu, ora se não foi! Pois esse  cassino, essa jogatina desenfreada que tomou conta da economia da Terra nos últimos anos (e que ninguém mais consegue deter) só se entende como um conto de fadas: a diferença, infelizmente, é que no fim de tudo, adivinhem só o que vai explodir...

domingo, 9 de maio de 2010

MIGUEL TORGA (2) - Nasceu Adolfo Correia Rocha em 12 de agosto de 1907. Portugal. O vilarejo chama-se São Martinho de Anta, província de Vila Real, Trás os Montes. Sua aldeia e província são cenários de inúmeros contos, novelas e poemas. Uma das regiões mais pobres e desassistidas do planeta. Talvez por isso seus habitantes desenvolveram meios de sobrevivência tão peculiares, e inventivos, relatados por ele em sua obra. Mesmo assim, às vezes nem isso bastava e as fomes dizimavam populações. Desde tempos imemoriais até a pouco menos de um século, morria-se na míngua, nas montanhas do noroeste português. Miguel Torga, filho de lavradores, o ramo paupérrimo da família, empregou-se, menino ainda, como lacaio de libré em casa apalaçada dos parentes ricos do Porto. 
     Depois foram os estudos, a vinda para o Brasil, o tio, cafeicultor,  rigoroso e até rude, mas apesar disso sabendo vislumbrar no sobrinho dotes de inteligência que o  fizeram bancar seus estudos, primeiro no Ginásio Leopoldinense, em Leopoldina, MG, e depois, como prêmio pelo  esforço e perseverança do jovem Adolfo nas lides do campo, sustentando-lhe o curso de medicina em Coimbra.
     Fico imaginando como teria sido para o meu ancestral português, pouco menos de trezentos anos antes, na mesmíssima região (era de Freixo de Espada à Cinta): com certeza a pobreza era ainda mais dramática, a fome maior. No século dezessete Portugal, colônia inglesa, só devia importar à Grande Bretanha do Norte pelo vinho do porto, na região do mesmo nome, e pela cortiça para as rolhas, ao sul. As imensas colônias ao redor do planeta para quase nada serviam: aquelas que possuíam alguma riqueza (caso da Índia e poucas outras) logo logo foram administradas diretamente pelo poder dominante. Lugares sem a menor expressão econômica (Brasil entre eles) viviam à matroca. Não existia ainda o cultivo do café, os terrenos da cana nordestina se mostravam exauridos e o que ainda restara era dos holandeses. Minerais valiosos e gemas raras eram produzidos, milagrosamente, somente a oeste dos Andes: como se estes limitassem geologicamente o território. Aos espanhóis, louvores e lavores; aos portugueses, somente dores.
     Mesmo assim vinha-se para o Brasil. Devia ser menos pavoroso que as condições de vida(?) que enfrentavam os tramontinos naquela época. Dois séculos e meio depois, a conjuntura  já era outra. Aqui. Lá, a fome, o desânimo haviam crescido. Torga foi a planta selvagem que floresceu nesse ambiente tão profundamente escalavrado pelas vicissitudes. Sua fisionomia granítica denunciava-lhe a origem, seu nom de plume traduziu sua certeza de que mesmo ambientes sáfaros a esperança um dia medra.
        NA MINHA OPINIÃO,  uma coisa muito instrutiva é "ouvir o outro lado", a respeito de um fato. Descobri há pouco um comentário sobre o dia da morte do Getúlio Vargas, 24 de agosto de 1954, de ninguém menos que Miguel Torga, o poeta e escritor português.Aquele período caótico da história política coincidiu com uma visita que ele fazia ao país. Registrou ele: 
 "Guanabara, 24 de agosto de 1954.
     Deixo o Brasil envolvido em negrura. Escuridão física da noite, que oculta o meio geográfico num abraço espesso, e treva metafísica das circustâncias políticas, que cobrem de luto o país inteiro.
     Como de propósito, o navio largou ao cair da tarde. E é uma terra inconformada com a sua habitual rotação e sobressaltada com a inesperada rotação da história, que aos poucos me vai saindo dos olhos."
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     "Não, o eclipse é transitório. daqui a meia dúzia de horas amanhece, e há novamente confiança na carne da terra e na alma dos habitantes. Um sol que se põe e um demagogo sentimental que dá um tiro no coração criam habitualmente o pânico telúrico e social por instantes. Mas a sina do astro rei é renascer, e a dos tiranos, mesmo sentimentais, é morrer de vez" (Miguel Torga, "Diário-VII" 2ª ed. revista - Coimbra Editora, 1961)
     Acho fascinante observar a percepção de um fato como esse por um "alienígena", ou seja, alguém estranho ao dia-a-dia dos fatos políticos e históricos que levaram o país a aquela crise. Em princípio, reduzir um político da dimensão histórica de Getúlio Vargas da forma que ele fez chega perto de iconoclastia; mas se você pensar bem e conseguir se isentar um pouco, tal síntese não está tão despropositada assim... 

sexta-feira, 7 de maio de 2010




EPHEMERIDES (6 de maio) "1644 - O Conde João Maurício de Nassau entrega o governo do Brasil Holandês ao Supremo Conselho do Recife. No dia 11 segue viagem por terra, indo embarcar na Paraíba." ("Efemérides Brasileiras" - Barão do Rio Branco, Ed. Do Min. das Relações Exteriores)


Até hoje há quem discuta se a saída dos holandeses do Nordeste (que principiou com a ida do Conde de volta à Europa) foi um bem ou um mal. Os eternos detratores da Pátria Amada salve salve dizem que eles iam fazer uma nova Holanda lá e em consequência o país todo seria rico e poderoso, diferente desse que temos hoje, etc. e coisa e tal. Os que defendem os heróis de Guararapes dizem que basta olhar para o Suriname ou outra colônia holandesa naquelas ilhotas do mar do Caribe para ver que droga que ia virar. Treplicam os primeiros dizendo que eles saíram do Recife e foram fundar Nova Amsterdã, que por isso é hoje simplesmente a "Big Apple", a cidade mais badalada do mundo


Eu? Bem, eu acho que isso é que é uma discussão bizantina. Faz mais sentido, na minha modesta porém sincera opinião, procurar saber por que até hoje o Brasil é, em muitos e muitos aspectos, uma "coloniona". A conversa podia partir da dificuldade que as pessoas honestas e trabalhadoras têm, para progredirem, pois competem com um exército que parece ser de ocupação, uns arrasa-quarteirões que utilizam todo e qualquer artifício desonesto para enriquecerem às custas dos demais, etc. etc etc. E principalmente discutir qual a saída para esse estado de coisas que se eterniza. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi um bom começo para colocar as finanças municipais e estaduais em dia? E é possível que nós consigamos fazer passar (e principalmente vigiar bem de perto sua aplicação) a Lei da Ficha Limpa? Etc. etc. e muitos mais etc. Nesse tempo utilizado por mim para escrever essa matéria, o planeta já viajou milhares de quilômetros espaço afora. O que passou, passou! Vamos em frente que atrás vem gente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

JOSÉ DE ALENCAR (II) - Ainda a respeito do "Ao Correr da Pena", há uma deliciosa crônica de 1854 (setembro) noticiando a inauguração do Jockey Club. Um jovem Alencar deixa-se levar pelo entusiasmo e fotografa fielmente não só a paisagem local como da fauna humana que compareceu ao evento, os "grupos dos gentlemen riders" e os mais abonados, que foram no "cupê aristocrático tirado pela brilhante parelha de cavalos do Cabo".
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Fiquei curioso. Jockey Club em 1854? Já ouvira falar do Derby Club, que ficava onde hoje é o Maraca e o Campus da UERJ, mas Jockey para mim começou na Lagoa. Pois não é que turfe era naquela época, o verdadeiro "esporte das multidões"? Havia de tudo, de raias nobres onde corriam consagrados campeões a campinhos suburbanos onde a população humilde não deixava de fazer sua fezinha. E isso vinha dos tempos antigos...

Se quiser saber mais, olhe em http://www.serqueira.com.br/, de onde tirei esses detalhes. só não sei ainda o que o J.Alencar queria dizer com os tais "cavalos do Cabo". Perguntarei a quem entende do assunto e depois eu conto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010


PS - sabe aquele escritor que poucos gostavam mas que éramos obrigados a conhecer, uma vez que era leitura obrigatória para os exames vestibulares do Oiapoque ao Chuí? Falo de José de Alencar e sua obra: "Cinco Minutos", "Senhora", "A Pata da Gazela", "O Gaúcho", "O Tronco do Ipê", e a mais célebre, "Iracema" . Bem, além de romancista e político, Alencar escrevia na imprensa carioca, deixando um grande número de crônicas publicadas na época. Agora, graças ao trabalho da Editora Martins Fontes na coleção "Contistas e Cronistas do Brasil" essas crônicas podem ser apreciadas em uma edição cuidadosa, preparada por João Roberto Faria, que também assina a introdução do belo volume: "AO CORRER DA PENA". Como era o Rio em 1854 e 1855. Gostei e recomendo.

NOTA - no dia de hoje, em 1880, morre em Lagoa Santa Peter Wilhelm Lund, o pai da paleontologia brasileira. Dr. Lund, nascido na Dinamarca, deixou importantíssimo trabalho quanto às origens do homem sul-americano, dedicando todos os seus dias as pesquisas de campo na região de Lagoa Santa, MG, recolhendo milhares e milhares de fósseis animais e vegetais. Graças a essa formidável dedicação, temos hoje um punhado de cientistas brasileiros dedicados ao tema e desenvolvendo novas e fascinantes pesquisas na área, além de alguns pesquisadores europeus e americanos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

OUTONO


M A I O

Era gostoso pisar nas frutinhas caídas nas calçadas claras

croc croc croc croc croc.

Um que outro automóvel rodava pensativo,

evitando em silêncio os postes do meio da rua.

À noite vinha o frio, por enquanto ameno

e a Serra do Curral nos sorria, dentes ainda perfeitos.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Brasília "antiga"


Da mesma época da foto anterior, podemos igualmente observar a cidade ainda sem o bairro Paranoá e o Lago Sul (à direita das duas torres do Congresso) praticamente vazio. Ao fundo, bem atrás do Palácio do Planalto, se ampliarmos a foto poderemos observar o Palácio da Alvorada.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como podemos observar, Brasília ainda era pouco povoada na época. O Lago Sul, a sucessão de suaves colinas ao fundo, era praticamente despovoado, a maior parte das habitações concentrava-se nas imediações da Ponte das Garças, ou seja, até a QI-07 e QL-06.