quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A RESPEITO DO LIMBO

     Vendo o post de ontem (hoje?), veio-me à mente aquela série de TV tão famosa, mas da qual jamais vi um só capítulo: "The Walking Dead". A idéia, como metáfora da humanidade é ótima. Os americanos, como sempre fazem, certamente  deram uma "acoxambrada" (gíria antiga, não liguem não) no "plot", meteram lá umas armas nas mãos dos "humanos" explosões de corpos putrefatos, etc. e virou aquela bosta que até meninos de oito anos acham besteira.
     Mas então vi um filme-documentário chamado "Aftermath" e entendi. Nada de céu, limbo, inferno: estamos no fim de nossa jornada neste planeta, um fim inglório e provavelmente com muita violência, tanto entre nós mesmos como da natureza,  nesses milhares de anos tão profundamente alterada pelo homem. Segundo o filme, as baratas e os ratos também se extinguirão, pois vivem enredados a nós (fiquei surpreso com isso, mas no filme as explicações para a extinção desses animais fazem sentido)
     Dante queria se livrar de muitos desafetos quando escreveu a "Divina Comédia": botou a todos no inferno e sua poderosa imaginação criou todo um sistema hierárquico naquele ambiente "dantesco" onde eles, seus inimigos, sofressem o diabo pelo  resto da eternidade. Muito mais modesto e sem o menor sinal da genialidade do florentino, concordo com o fim do filme: daqui a uns 20 milênios nem o mínimo vestígio de nos existirá na Terra. Apenas na Lua restará uma bandeira imóvel, uma estranha geringonça de quatro rodas e uma pegada indecifrável.

Hoje

     O DIA DE HOJE já ficou para ontem. Amanhã por enquanto inexiste. Deve ser o limbo (às 0h.)
Mãos sufocadas
LIMBO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ELE VAI FAZER MUITA FALTA














      EDUARDO CAMPOS está morto. Violentamente nos foi arrebatado por essa "Caetana" como dizia outro recém-falecido e a nós igualmente caro, Ariano Suassuna. A diferença é que Ariano deixou saudades, é claro, mas também nos fez a todos herdeiros de uma vasta obra, onde podemos sempre estar com ele na hora em que quisermos. Eduardo Campos mal iniciava uma luminosa caminhada política, que certamente o traria no futuro, novamente a empunhar a bandeira do povo: do seu povo pernambucano, nordestino, brasileiro. Seria o candidato ideal para, talvez  em 2018 ou um pouco mais adiante, quando estivesse pronto e acabado para continuar esse projeto de um país de seus filhos, todos eles, não um punhado de idiotas reacionários e  burros. A senzala está de luto, os "senhores da guerra" choram suas lágrimas de crocodilo e nos afrontam com sua hipocrisia estampada por seus sabujos dos jornais e tvs comprometidos com a banda podre nacional.
     Comove-me a morte brutal desse rapaz, que bem poderia ser ainda um verdadeiro líder nacional de todo o povo brasileiro. "Caetana", mais uma vez, parece estar de sacanagem com o Brasil. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CARLITOS E O ANTICRISTO















     CHARLIE CHAPLIN já havia dito (naquela sequência genial do "Tempos Modernos"): o cara que inventou a linha de montagem era o anticristo encarnado. Nada melhor para transformar o ser humano, o antigo cidadão em mais uma engrenagem, pueril ferramenta que de maneira automática aperta sempre da mesma maneira porcas e parafusos, dia e noite, ininterruptamente.
     Como o diabo logo deixa enorme descendência, a coisa hoje é tão temerária que você olha uma dessa fábricas modernas e não sabe diferenciar o que é robô-máquina o que é robô-gente. Roubaram nossa humanidade! E a maioria bate palmas e pede bis!!
     Essas tais "montadoras" deixam suas células cancerosas no mundo inteiro. São chamadas carros ou automóveis. Aqui no Brasil matam mais que tuberculose, que infarto do miocárdio, que tiro de bandido. E todo mundo que tem um se orgulha, quem não tem sonha em ter.
     Na maior parte do planeta os patetas de lá já perceberam a armadilha e lutam desesperadamente para sair fora: seja através de soluções que simplesmente proíbem-lhes (os autos)de trafegar, seja através do oferecimento de opções de transporte coletivo às vezes até gratuitos.
     Aqui basta ver os olhinhos brilhantes com que os pobre diabos dos repórteres anunciam na TV: "Em São Paulo o engarrafamento atingiu 4 mil quilômetros! UAU!! Recorde mundial!!
     É verdade: o chifrudo está levando esta por muito mais que 7X1...
(direitos autorais da foto: ÊLE!)

    
    

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

TRÊS SÁBIOS SÍMIOS

    

ERA UMA VEZ TRÊS. Macacos. Faziam uso sábio e coerente das mãos. O primeiro dos antropoides as usava. Tapava com elas os olhos, para não ver a selvagem luta. Que se engalfinhavam os outros.
     O segundo deles usava as palmas comprimidas contra as orelhas. Não escutar a tremenda algaravia dos demais.
     O macaco terceiro cerrava os beiços e os apertava com suas mãos. Não ousava dizer nada a respeito da delirante loucura da tribo inteira.
     MAS os olhos dos três, completa e indizivelmente arregalados. Tudo viam. Ouviam. Gritavam.