quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

FELIZ ANO NOVO



      VIVER É COM-PAIXÃO

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O MESMO DE SEMPRE

     ENTRE cálculos e raciocínios matemáticos complexos a moeda brasileira, desde o velho "mil réis" até o dia de hoje, veio perdendo uma característica fundamental: a confiança do povo.
     53 anos após a proclamação da república, o Presidente Getúlio Vargas, em novembro de 1942 criou o cruzeiro. Com o advento dos governos militares. Castelo Branco, Médici, Figueiredo reformaram o sistema financeiro com a desvalorização da moeda em um período extremamente curto. Isso abalou ainda mais a "fidúcia"
     Os presidentes civis, a partir de Sarney até Itamar Franco agiram da mesma forma: uma desesperada (e infrutífera) tentativa de controle da inflação.
     Hoje vivemos nova crise política as vésperas de completar um ano, e testemunhamos, outra vez, o derretimento do valor da moeda. A continuar assim, teremos fatalmente, após a eleição e posse do novo Presidente outra reprise dessa cruel novela.
     De qualquer maneira, todos os envolvidos de alguma forma com o Sistema Financeiro, do rapaz (ou moça) do cafèzinho até o Presidente, deveriam sempre prestar atenção para que o apreço do povo por sua moeda não seja jamais aviltado, como tem sido a partir da Proclamação da República. Não existe nação soberana sem um pacto de confiança entre o povo e os governantes Um dos fatores principais dessa confiança, tenham a certeza, é o apreço pela moeda nacional.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CHOQUE E ABALO

     Fiquei tristíssimo com a tragédia do incêndio que destruiu o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. Estava naquela cidade na época da sua inauguração, em 2006 e fui visitá-lo logo nos primeiros dias de funcionamento. De lá para cá, voltei inúmeras vezes à capital paulista com o propósito de passar uma tarde inteira percorrendo com calma suas instalações. Adiei, adiei e...
     Dizem que os arquivos digitalizados estão a salvo. Aleluia! Tomara que a reabertura seja rápida!!

domingo, 20 de dezembro de 2015

C O N T R A A M A R É



     É quase unânime a repulsa em torno do nome da atual Presidenta. A imprensa é a principal arma opositora, conquistando mais e mais público quando mostra os  índices de pesquisas de opinião, massivamente contra aquela.
      Eu vejo - e comecei a perceber na crise de 1954 - que é outra vez uma campanha muito bem urdida pelos meios de comunicação que diariamente nos martelam com manchetes tonitroantes, causando o aturdimento geral, obliterando o senso crítico de cada um.
     A finalidade do processo é a de nos viciar: esperamos pelo escândalo diário, como a droga que nos manterá por mais outro dia...
     Mas o que eu noto e é fácil observar - por aqueles que ainda detêm um mínimo de pensamento crítico - é que "nunca antes, neste país" algum dirigente tenha permitido que o Poder Judiciário alcançasse tamanho grau de independência para julgar os mal-feitos de  tantos poderosos: banqueiros, políticos, empreiteiros, operadores, financistas, e por aí vai.
     Em verdade, quem odeia mortalmente a Presidenta é a  classe privilegiada,  através dos séculos as verdadeiras donas do Brasil. E reparem bem, o ódio cresceu assombrosamente quando a mesma deu mostras de que não ia usar o poder autocrático dos presidentes,  sempre pressurosos em atender aos "Donos do Poder"(apud Raimundo Faoro). Não se ouviu ainda, de parte da Presidenta, sequer um muxoxo depreciativo da desassombrada atividade do Poder Judiciário através do Juiz Federal Moro, dos corajosos Procuradores da República e dos eficientes Delegados e Agentes Especiais da Polícia Federal. Muito pelo contrário.
     De outra parte, apesar de constantemente existir notícias claramente "plantadas" visando denegrir a imagem presidencial, nunca houve sequer menção à conduta da Presidenta pelos responsáveis pelas investigações.
     É muito fácil, com um mínimo de discernimento, perceber que está acontecendo a mera repetição das inúmeras outras crises artificialmente criadas quando os presidentes começam a agir certo: são sempre atingidos por uma violência incrivelmente sórdida extremamente bem urdida, levando a tragédias como golpes de estado, suicídios e outras tragédias que fazem o país retroceder muitos anos.
     O golpe está em marcha. Conclamo os que ainda conseguem raciocinar nesse clima  confuso e conflitante, criado artificialmente, a não se deixarem levar por essa maré. O mar de lama, acreditem, nunca é o que nos parece visível. Assim como os icebergs, deixam aparentes só 20% da massa. O que realmente importa fica sempre omitido da nossa percepção.  
     Recebi, de um amigo que muito prezo, uma piadinha a respeito: estariam botando a culpa do aquecimento global na Dilma... do jeito que as coisas estão é capaz de muitos levarem a sério!

sábado, 19 de dezembro de 2015

C A R T A

Querido Papai Noel:
       escrevo-lhe as mal-traçadas adiante para pedir um presentão de Natal. Como é para todos os brasileiros e brasileiras, uso o aumentativo. Meu nome atual é Vovô Corujão (porque gosto de dormir tarde e passar as manhãs roncando), mas quando era criança lá na Ilha, e a gente -lembra?- se encontrava todo fim de ano no Bazar do "Seu" Correia, na Freguesia (saudade!!), chamavam-me Paulinho.
      Mas divago: o presente que eu peço para nós todos daqui do "Novelão" (antigamente chamado Brasil) é inspirado no uso de lastro nos galeões antigos: os Capitães que vinham da Europa em demanda da China usavam o porto do Rio de Janeiro como escala para apanharem água, alguns produtos e assim fazerem o porão do navio ficar pesado para a perigosa travessia do Sul do Continente e do Oceano Pacífico. Na volta, além da água traziam produtos muito valorizados por essas plagas e na Europa, a louça de porcelana, até hoje chamada "china". No Rio outra vez, eles se desvencilhavam da louça barata, entregavam as encomendas especiais dos ricos e faziam lastro para voltarem à Europa.
     Isso então me deu a idéia de propôr uma coisa: que na volta ao Pólo Norte o senhor, Papai Noel, certamente precisará de um lastro para compensar o saco de presentes vazio, não é? Pois bem: temos aqui, principalmente no Estado do Paraná, num lugar chamado Penitenciária,  um monte de gente que o senhor podia botar no saco e levar para lá!! A maioria é constituída de pessoas gordas, alguns imensos mesmo, graças ao que "comeram" ao longo de décadas.  Se o saco ficar muito pesado para as renas, já cansadas da viagem de vinda, tenho uma idéia: o senhor usa dois (ou a quantidade necessária de) sacos. Deixa um aqui pertim, no Pólo Sul e leva o(s) outro(s) para o Ártico. Só não vá se esquecer de esvaziar o saco! Use para isso seus duendes, que executarão a tarefa com muito prazer, tenho certeza, o mais distante possível da sua oficina! ISSO É FUNDAMENTAL!!
      Aqui me despeço, Papai Noel, com o carinho de sempre, não esquecendo de mandar um abração para a Mamãe Noel.
     do seu afilhado de sempre,
    Paulinho da Ilha.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

UM OUTRO NOME PARA O PAÍS


     Ivan lessa comumente apelidava o Brasil, em seus textos perfeitos, de "Bananão". Face aos últimos acontecimentos, acho que deveria ser "Novelão":
vejam, tem a "novela do empichamento", a "novela do lava-jato", a "novela da lavagem de dinheiro", a "novela do rompimento"... O número é interminável, embora todas tenham um final comum: uma festança, um carnaval que os pobres (incluo aí a imensa facção dos pobres de espírito, destituídos de um mínimo senso crítico) assistem extasiados, sabendo que elas jamais acabarão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ATIVIDADES PROFISSIONAIS

      O arquiteto sonha com a ponte; o engenheiro a constrói. O advogado cobra o pedágio; o médico paga.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A CURA DA DESINTERIA



     Fácil: consulte o dicionário e escreva a forma correta: disenteria.                    Agora, se tiver preguiça, escreva como nossos patrícios da ocidental praia lusitânia: vá de "caganeira" mesmo que funciona.

PENSO (?)




     ... em lançar minha próxima obra literária em uma concorrida noite de autógrafos no lixão do DF. Já se considerem obrigados a comparecer os colegas escrevinhadores sem divulgação, distribuição, agentes literários etc. levem muitos volumes de suas obras (levarei das minhas, claro), pois os convidados de honra, serão, pela ordem, os urubus do cerrado, os abutres da Praça dos Poderes (são muito mais de três, idiotas!) e os catadores de papel. Estes levarão a nossa caca literária para algures. Ou, quem sabe, nenhures. Ou ainda...

BRAZIL?


     Nas últimas semanas tenho pensado muitas vezes no ex-presidente Charles De Gaulle, do alto de sua postura "imperial" dizendo em bom som: "o Brasil não é um país sério." Tantas décadas depois, isso não só é cada vez mais evidente como lembra outro dito francês: "plus ça change, plus la même chose". E não é que é isso mesmo?

sexta-feira, 31 de julho de 2015

TRAMBIQUES, AS USUAL



     LÁ SE FOI mais um leão, atraído com uma "isca" para fora dos limites de proteção de um parque nacional de conservação animal no Zimbabuwe. Foi morto aos poucos, com toda a crueldade possível e imaginável que só o "homem" é capaz. Bichinho esperto este, não? Imagino o tal Palmer, o dentista (ex?) brindando com seus pares na velha Minnesota, erguendo brindes aos antepassados franceses e ingleses e outros civilizados europeus genocidas que exterminaram (com truques e tramóias impressos no DNA dos descendentes) os povos ANISSHINAABE E DAKOTA, imemoriais habitantes da terra. E la nave va...
     Resta as outras espécies animais um consolo: nós não ficaremos muito tempo mais por aqui! Tenham paciência e suportem com coragem todo o sofrimento sem sentido que afligimos a vocês todos, desde que descemos das árvores em direção à Savana, e nos tornamos bípedes pelados:
somos uma espécie em extinção!! (nós, homens; os leões jamais!)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

dicas do cuitelim

(*) Cuitlelim, diga: por que as coisas nunca são como deveriam ser? Ora, rapaz (brigado!!), porque elas sempre são como são! Comoção? NÃO! como.....são, capiche, caro bambino? Aliás depois vamos ouvir a Callas? Oh Mio Banbino Caro... lembra? fantástica!! claro que me alembro, sô! muito digna!! mas não mude o assunto, por que... sabe, você parece às vezes... sei não... um pouco tardo... mas vamo lá: as coisas devem mudar para permanecerem como estão, sacou?? na tradição oral da minha família cuitelídea, há muito e muito tempo um grande escritor italiano tinha um primo que emigrou de lá pra cá - daqui olhado vira imigrou - e depois de muitos anos escreveu ao primo de lá que este nosso torrão é um pedaço de mau caminho das arábias! As pessoas, o povo geme e os mandantes patrões, poltrões e toda essa raça de mal-paridos e fud... mal pagos, arrelia o pessoal de baixo mudando as regras - às vezes mais de uma vez por dia - e falam: no inverno vosmicês verão... mas no fundo estão mesmo é mudando essas regras para o pobre povo ficar sem entender nada: dessa maneira os privilégios, as injustiças, os arreglos, o entesouramento dos mais sacanas vige e sempre vigorou a plena carga, dig you? Digar eu digo, que nem um diogo dialogando, mas.... não tem mais nem meio mas. Com licença que agora eu vou até ali, o que que há, vou beber o meu guará! mas quem é do tempo desse reclame sou eu, amigo! você tem o quê? alguns meses de vida? mais ou menos. acontece que em nossa família de pintacudos, a tradição oral é tudo, lembra! sei coisa dos faraós que iriam aparvalhar sua fisionomia pascá... interrogativa, digo diogo: tchau!!
      Saltitante, lá se foi o amigo cuitleinho cuidar da vida, que é um nunca acabar a faina de levar daqui pra lá e de lá para acolá a polenta, ou melhor o pólem, para que ao menos a natureza, essa sábia, jamais, nunca, em tempo algum, precise se repetir, como se um reles humano, neurótico por toda certeza.
(*) CÊS tudo vai lendo e colocando aspas, travessão, travessura, maiúsculas, gostosuras, e coisa e tal. Ando bastante cansado com toda essa baboseira onde nascemos e vivemos. AF!!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ESTÁ TUDO SOB CONTROLE OU...





O UNICÓRNIO E O GUARDA-CHUVA

Omedomandanomundo
As bombas explodem em mil megatons disentéricos, cabeças rolam, fascinadas com o sangue que jorra na areia e tentam enxergar o absurdo no próximo oásis onde a princesa penteia seus longos e sedosos cabelos untados com essências raras e óleos miríficos e os drones gargalham sinistramente dos galhos das palmeiras pulverizadas.
O sangue jorra na areia
Lá embaixo jaz o petróleo. Mais fundo o medo estagnado forma pântanos ácidos que corroem as  entranhas estraçalhadas dos góticos  e grita nas orelhas dos milhões de negros assassinados pelo rei belga que  orgulhoso preserva as mãos cortadas que angariam prêmios e causam inveja continental. Todos pedem ao menos uma a papai noel, mas este congela infernos futuros da Sibéria, rompe com diques que sobrehumanos esforços um dia ergueram para nada afinal vem o metano e cobre tudo nem um ai escapa da bruma assassina que só poupa os grifos inutilmente pousados como pedra na notre dame onde caiu a torre Eiffel e a ponte Ercílio luz riscou os céus e sumiu-se como antimatéria letal.
Um branco bem-posto porém mortofedendo.
A indignação ferve nas panelas e borbulham em fontes térmicas as lavas tremem vulcanicamente tomadas de um pavor histérico o mar enforca seus derradeiros peixes atônitos e refogados que produzem tomates mercuriais em latas de sopa. Um preto de bem com a vida é atingido mortalmente pelo contrassenso de mil toneladas de culpa concentrada em uma colher de chá derramada sobre seu crâneo. Mais tarde o escalpo é encontrado na banca de rua de xangai onde escravas sexuais vendem curiosidades do ocidente e mulheres de olhos puxados tentam inutilmente arregalá-los e esticam seus pés cada vez mais até um tamanho desproporcional e ganham todas as corridas olímpicas e as provas de salto a distância.
Patíbulos, forcas e garrote vil
Todas as capitais esmeram-se em construírem as maiores telas curvas e mostrarem ao povo que não, jamais, em tempo algum este ficou delas esquecido. Para que todos possam enxergar de forma democrática e unívoca o que se passa, as últimas árvores são derrubadas e  pios irritantes cessam como por encanto. O Sol abrasa satisfatoriamente e milhões viram pacientes de melanomas incríveis que se espalham como tatuagens e escaras pelos corpos feridos e felizes dos orgulhosos portadores.
Gran Circo de Las Cabezas Volantes
Os drones de cá se encontram com as cabeças voadoras de lá e cumprimentam-se cerimoniosamente. Aguardam expectantes que um deles seja o primeiro a explodir lançando aquela melecada gosmenta e todos se vejam levados a imitá-lo mesmo porque a lua cor de sangue paira robustamente ocupando toda a abóboda e as abóboras se mudam para vênus onde ficarão escondidas debaixo de um fumacê ofegante e barato. Os computadores gemem sob o peso de seus próprios pecados e pedem perdão agora é tarde, os grafenos restaram indecifráveis como desligo essa merda o choque é letal os sons amplificados de zilhões de caixas leva babélia ao espaço soturno e planetas profundos são postos fora de órbita e giram loucamente ao encontro fatal de seu próximo. Não foi um big bang mas peido de mosca que poluiu o ar afastou a todos  e decretou o estado de calamidade pública e notória o particular é o mais prejudicado pois a ele caberá pagar a conta de toda essa monumental cagada. Rebus sic stantibus pacta sunt servanda está insculpido nos portais carcomidos dos sete mil infernos onde lampião, napoleão e outros ãos e ãs mandammatammijam.

  

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

SUZANA DE MORAES

     Há um Vinícius de Moraes pouco menos conhecido, aquele das crônicas. Tempos antigos, quando a crônica diária ou semanal imperava na maioria dos jornais e das revistas brasileiras, e quase todos os nosso escritores a praticavam. Hoje estão em livros, reeditados sem parar - ainda bem!
     Em uma de suas crônicas Vinícius fala justamente de sua filha Suzana, que acabara de casar com um diplomata. O casal ia para a Europa e isso serviu de motivo para Vinicius pedir de volta  o quadro de Portinari onde o próprio Vinicius era retratado. Suzana, uma noiva de apenas 19 anos, recusou-se decididamente a ceder ao desejo paterno. Daí então a crônica(*), um pouco melosa mas muito bem escrita, que me "apresentou" naquela ocasião a minha contemporânea.
     Depois desse episódio pouco ouvi falar a respeito dela. Imagino que, após aqueles efervescentes anos sessenta e setenta, tenha vivido uma vida mais recolhida, distante dos holofotes cinematográficos,  da ribalta e das TVs. A notícia de sua morte, entretanto, apanhou-me de surpresa: alguém praticamente da minha idade, de cuja existência fiquei sabendo graças a uma crônica do seu pai escrita quando ambos -  ela e eu - éramos ainda bem jovens; cuja vida pouco acompanhei depois, até que a brutalidade do golpe militar amordaçou e mutilou tantas vocações. Sabia de uma valente Suzana,  na primeira fila das marchas de protesto, braços dados com outras personagens de nossa vida artística e intelectual. Soube depois de uma talentosa atriz de cinema trabalhando com nossos melhores diretores em filmes que fizeram época.
     E o tempo passou. Hoje, a notícia triste: Suzana de Moraes faleceu. Com ela, apesar de nunca a ter conhecido pessoalmente, foi-se um pouco da juventude, da alegria de viver. Sobra um coração já maltratado de outras faltas, entristecido e nostálgico, onde mais e mais as saudades se juntam e não aquecem mais nada.
(*) Chama-se "Retrato de Portinari" , páginas 29-31 da 3ª Edição do livro "Para Viver um Grande Amor" Ed. do Autor, Rio de Janeiro - 1965

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PROMETO: É A ÚLTIMA VEZ!



 
 
 

     Vejo que estou sendo repetitivo. Pareço obcecado com minha opinião a respeito  da natureza humana. Observo que se tornou um tema recorrente, onde discuto até a exaustão os aspectos morais da questão.  E isso é chato, muito chato.
     Então, para acabar de vez com essa reflexão sobre o que é mais do que evidente, vou terminar dizendo por derradeiro: o ser humano é definitivamente antinatural. Pelo menos os que denominamos "brancos" (coisa inexistente essa de raça, sabemos agora com certeza), tomaram um "ramal" evolutivo que necessita usar cada vez mais, de forma predatória e destrutiva, os recursos naturais até o esgotamento total dessa fonte. Mas não há, como eu imaginara, qualquer fundamento moral nessa maneira de agir. Acho que não é certo adjetivar essa conduta como egoísta, má, imoral, etc. Ela é, isso sim,  antinatural. Vai de encontro aos ritmos da natureza, desconsidera qualquer fenômeno inerente a eles,  não percebe nada mais que não seja o lucro que possa auferir de suas operações. 
      Mas isso tudo, repito, nada tem a ver com ser "mau", e outros epítetos morais desfavoráveis.
 É um comportamento intolerável, sim, pois não reconhece e muito menos quantifica os terríveis danos que causou ao meio-ambiente nesses milênios, danos esses absurdamente exponenciados nos últimos anos. Esse comportamento, sim, nos ameaça a todos com seus terríveis efeitos, muitos deles já irreversíveis, está chegando ao fim. Mas não por opção humana, mas sim por absoluta exaustão dos insumos utilizados e dos meios econômicos mais e mais onerosos em sua transformação. Mais uma vez repito, que não existe conceito moral algum incrustrado no tema.  Ao fim e ao termo, todos somos, sem exceção pueris e insignificantes.
     Talvez por isso a aparente cegueira da maioria para enxergar os cataclismas já em curso e cada vez mais intensamente, no planeta. As medidas anunciadas pelos dirigentes mundiais são claramente inócuas, uma vez que há muito o ponto de não retorno foi atingido. Agora é só uma questão de tempo. Por isso finalizo com uma expressão atribuída à Bíblia: "muitos serão chamados e poucos (pouquíssimos!) os escolhidos". Que Tupã se apiade de nós!













domingo, 25 de janeiro de 2015

DANDO O BRAÇO A TORCER




     Aos meus nove leitores, peço desculpas. Desde que iniciei esse blog venho repetindo que a cura para nossos males seria o abandono do capitalismo e a adesão a um regime que conciliasse a socialização dos meios de produção a um regime distributivo aliado à inexistência de uma forte instrumentalização estatal.  Achava - e ainda acho - que o comunismo, por uma série de fatores, necessita, para funcionar, do chamado "centralismo democrático", que nada mais é que um eufemismo que significa realmente "uma ditatura dos diabos". Desse autoritarismo neurótico nasce um "esqueleto" burocrático, monolítico e indestrutível, seja qual for o regime político/econômico. A antiga União Soviética deu lugar a Rússia, onde quem continua mandando é a casta burocrática, sob o amplo, amplíssimo guarda-chuva da ex-KGB.
     Mas essa minha convicção nunca foi inabalável e por isso mesmo, veio sendo bombardeada pelos fatos que observo nessa caminhada do ser humano rumo ao precipício da auto extinção. Acostumei-me ao caminho fácil de achar um "culpado" para os descalabros que observo no dia a dia do planeta e seus habitantes "humanos". Como a babaquice insultuosa do período militar(1), sua violência gratuita etc etc. empurraram-me e a muitos para a "esquerda", nada poderia calhar melhor que a ojeriza à velha e decadente "burguesia capitalista". Era tudo culpa desse estamento social, dizíamos, e só com sua eliminação por meios violentos traria para nós a prosperidade, a felicidade e mais um monte de "ades", todos ideais e portanto ilusórios. Oníricos.
     Mas agora concluo que o triunfador, no episódio da queda do muro e na derrocada da porção solicalista do planeta não foi o capitalismo e sim a ganância, o egoísmo e a cupidez. Nada a ver, portanto, como esse ou aquele regime, tudo a ver com a única verdade desse mundo: a lamentável e doentia natureza humana.
     (1) Sentíamos, na verdade, medo, insegurança e sobretudo raiva impotente, daquele violentíssimo  "festival de besteiras" que dominava o Brasil.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O LIXÃO DE DAVOS



                                                                   


     LEIO na internet que uma foto obtida em lixão de Gana foi premiada com muitos dólares pela Unicef. Além claro, do reconhecimento mundial do seu autor, um fotógrafo alemão chamado Kai Loffelbein. As várias localidades (ou sítios) onde pesquisei o assunto chamam a atenção para o fato de ser um lixão de "dejetos tóxicos" provenientes da Europa. A Unicef usa a foto como propaganda e divulgação para seus programas de amparo à infância em condições extremas mundo afora. Não esclarece, no entanto, o que aconteceu com o menino, que aparece erguendo como um troféu mortal um tubo CRT, sigla inglesa para tubo de raios catódicos. Espero que ele tenha conseguido salvar-se do quase certo envenenamento e progredido para, pelo menos, conseguir "encher" o uniforme futebolístico que enverga, muitas vezes o seu tamanho.
     ENQUANTO ISSO, Davos, uma estação alpina onde antigamente existiam sanatórios para tuberculosos - foi cenário do romance "A Montanha Mágica" de Tomas Mann - Hoje presta-se para anualmente em janeiro sediar uma espécie de colegiado onde se reúnem e discutem variados assuntos os mais importantes líderes mundiais, banqueiros, financistas, plutocratas e, ultimamente, vips do "jet set" e artistas de vários ramos do "show bussines" Certamente não será mencionado o lixão de gana, o fotógrafo e o menino.
     Atualmente ocorre um fenômeno com as fotos: a distância entre esta e seu objeto é cada vez maior. A fascinante história da fotografia ainda nos empolga, certamente,  temos os nossos artistas cada vez mais reconhecidos, com justiça, mundo afora. Esse elemento cultural adquiriu, a partir do século passado, status de verdadeira arte, como todos sabemos. 
     Isso tudo, me parece, trouxe um grande distanciamento entre a foto em si e o objeto fotografado. Por mais que a sensibilidade do fotógrafo seja aguçada por detalhes que a nós passariam desapercebidos, por mais que a emotividade, a cumplicidade moral, a solidariedade emocional possam ser desencadeadas no artista naquele momento único, a apreciação do trabalho fatalmente dar-se-á, nos outros profissionais, pelos aspectos técnicos, e no público em geral, através do apelo emocional que a foto tenha. Ficamos compungidos, entristecidos ou mesmo enraivecidos momentaneamente com a desigualdade social dia a dia mais gritante e então, saciados moralmente, vamos jantar.
     Certamente é o que ocorre em Davos. Jamais ocorreria aos europeus fazer dos alpes um local de despejo dos seus dejetos hospitalares, electrónicos, e outros. Jamais será tema de debates o montante de divisas que Gana e outros países miseráveis do mundo recebem para recolherem essa porcariada toda, ou o uso que fazem desse dinheiro. O lixão de Davos continua em terras d'África, os mandatários continuarão - o trocadilho vem a propósito - "se lixando" para essas contingências menos nobres do que como ficar mais e mais ricos.
     Falando nisso, não sei o que o Sr. Levy foi fazer lá, além de mendigar uns trocados benevolentes para nosotros. Melhores financistas temos, a começar pelo Sr. Abravanel, conhecido como Sílvio Santos, que dá aulas de como ficar rico a qualquer um no mundo. Senor Abravanel possui em seu DNA, há mais de quinhentos anos, esse gene ou lá o que seja. Um de seus antepassados foi o único judeu que os reis católicos, Isabel e Fernando, não consentiram que fosse expulso, uma vez que era o principal conselheiro de finanças,  um Ministro da Fazenda daqueles tempos. Mutatis mutantis...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

apostas altas Mundo afora


      Lá vem o  chinês,   subindo a ladeira! Ah, muito bem: e daí? Daí que as considerações a serem  levadas em conta pelos países com os quais eles têm contas a ajustar (e que contas!!) serão as seguintes: "meu mercado possue tamanho satisfatório para interessar às corporações chinesas? Em outras palavras, o cálculo do custo/benefício para eles deixará minha nação permanecer no planeta ou seremos exterminados?                                                                                                                                     Estou sendo sarcástico? Acho que não. Penso que devemos considerar, em relação à China e seus habitantes, alguns aspectos fundamentais: trata-se da civilização mais antiga do mundo; quando nós ainda políamos pedras, alguns pensadores como Lao Tsé, Confúcio, Mêncio, Chuang-Tsu, Sung-Tzu e outros legavam ao mundo ensinamentos que até hoje perduram; no Século XIV, ou seja, pelo menos duzentos anos antes dos portugueses, já tinham feito a circunavegação do Globo. Data dessa época  a opinião do chinês a nosso respeito (os ocidentais): somos povos bárbaros, que trouxeram ao mundo todo o tipo de torpezas e vilanias; e principalmente, somos violentíssimos, haja vista o que os lusitanos,  britânicos, franceses, alemães,  estadounidenses e por fim os japoneses perpetraram mais recentemente contra o país. O usual genocídio produzido pelas forças armadas era justificado com a mesma desculpa esfarrapada (ainda hoje muito usada contra as minorias negras, indígenas, o povo muçulmano, etc.) de que o BRANCO era portador da mensagem divina de levar a sua "civilização" a essa populações, coitadas, todas vivendo no obscurantismo pagão, idólatra e queijandos.
      Entretanto é sempre fundamental ouvirmos o outro lado a respeito dessa autoproclamada "missão": lembro de um  jovem diplomata chinês destacado, em fins do Século Dezenove, para o serviço em Paris e depois, Londres. Espantado com os costumes dos "brancos" e principalmente enojado com os cheiros que emanavam dos corpos, das comidas, das ruas, etc., escreveu várias cartas à família, descrevendo aqueles bárbaros e seus estranhíssimos costumes. A correspondência virou livro, com o título "Cartas do Ocidente". Meu exemplar, muitas vezes lido, encontra-se alhures, espero que momentaneamente (sou um otimista!). Mas como dizia Terenciano Mauro (ou será que foi outro daqueles romanos que passavam a vida produzindo máximas - e mínimas - para a posteridade?) habent sua fata libeli                                                                                                                                        Mas voltando ao chinês da atualidade e sua gana de progresso (?) devo dizer que assusta qualquer um o ímpeto como o povo e o país entraram na chamada modernidade. Cidades com 14 milhões de habitantes, há dez anos não eram mais que um vilarejo perdido no Oeste; o conurbamento de Chongquin, com sessenta milhões(!) de habitantes; Xangai com 23 milhões; a capital, Beijing, com outros 12 milhões (lá deve ser considerada "vila") e outras tantas cidades surgindo como cogumelos no Oeste chinês. A China virou outra! Virou mesmo? Particularmente, apesar de ser brasileiro e não ter nada a ver com os povos que violentaram tanto tempo aquele país, fico ansioso para saber - caso ainda esteja aqui - se continuaremos nas boas com eles, considerados como somos hoje um país fornecedor de matéria-prima (ferrro e outros minerais) e produtos agrícolas e de origem animal. Falar em agrícola, lembrei-me de fruta e por associação, de uma certa empresa americana que já já vai perder o status de lider do mercado mundial de celulares, fablets, e outras geringonças eletrònicas. O Vale do Silício vai surtar!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

VERANICO DE JANEIRO



         
         Dado que o poema não me sai,
conformado, vou cultivar bonsai.
 
janeiro/2015