terça-feira, 18 de maio de 2010

Ela escrevia desse jeito:

"Perfeito é não quebrar
a imaginária linha

Exacta é a recusa
E puro é o nojo.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

De Tarde

Prestes a ir-se embora o sol.
De cima do pau seco acauã capricha,
que mãe-da-lua vem depois.
Caipora sonha bons sonhos no liame de camacã
que a preguiça é uma arte
e cultivar o ócio a filosofia dos mestres.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

NA MINHA MESA DE CABECEIRA (2)

SEMPRE OCORRE em listas: esquecimentos e omissões (in)voluntárias. Estas, Freud explicaria, talvez. Esquecimento pode ser esquecimento mesmo. O fato é que me lembrei de um "livrinho" que havia sumido da minha cabeceira e andava meio esquecido. Por acaso o encontrei logo depois de haver divulgado a lista: pecado! E logo o volume editado pela Global, dentro da coleção melhores poemas, dirigida pela Edla Van Steen. E a seleção dos poemas, bem como a nota introdutória da Profª Luciana Stegagno Picchio: Imperdoável!
     O autor do "livrinho"? O prefácio diz que é um "poeta 'diferente' nos dias da sua estréia, católico surrealista, barroco, metafísico, visionário, insubmisso" ora, só podia estar falando de Murilo Mendes, não é mesmo? É uma preciosidade, vejam:
"A infância vem da eternidade.
Depois só a morte magnífica 
-Destruição da mordaça:

E talvez já a tivesses entrevisto
Quando brincavas com o pião
Ou quando desmontaste o besouro.

Entre duas eternidades
Balançam-se espantosas 
Fome de amor e a música:
Rude doçura,
Última passagem livre.

Só vemos o céu pelo avesso."

                                                                                                                                     

     Isso foi uma mínima amostra do que contém o livro. voltou correndo para a minha mesa, para ficar, desta vez, por uma boa temporada!
     E para encerrar a nota, não posso deixar de comentar um livro já de 2009 (embora a edição da Nova Fronteira seja de 2004): Miguel de souza Tavares, o autor, é Português, relativamente jovem e tem (para mim ao menos) uma característica fundamental: é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen a maior figura da poesia portuguesa atual.
     Pois Miguel escreveu um best-seller desses cujas tiragens se contam às centenas de milhares cada uma. Chama-se "Equador" e conta a história de São Tomé e Príncipe (duas pequenas ilhas na costa ocidental da África. Embora a meu ver o romance tenda um pouco aos superlativos do romantismo (e fico imaginando se isso não foi proposital por parte do autor, tendo a ver com o tema, o período histórico da trama, etc etc.) é muitíssimo bem escrito. 
     E dá para perceber (pelo menos fiz essa analogia) símiles e mais símiles com certas situações que vivenciamos ainda hoje no Brasil. Existem brasileiros que são "a cara" dos piores vilões do livro. Daí as malquerenças e os ódios lá narrados se justaporem de maneira  tão impressionante ao que vemos aqui, ao menos em alguns círculos e situações. Certamente bricabraque, antes de BRIC. 





      

domingo, 16 de maio de 2010

EPHEMERIDES DO BARÃO

SÁBADO, 16 de maio de 1818 - "Decreto de D. João VI aprovando as condições para o estabelecimento de uma colônia de Suíços (do cantão de Friburgo) na real Fazenda do Morro Queimado. A colônia tomou o nome de Nova Friburgo."
Parabéns Nova Friburgo! 192 aninhos... a original suíça tem um pouco mais: 853 anos! (imagem: site da Prefeitura Municipal de Nova Friburgo-RJ)

sábado, 15 de maio de 2010

NEVE EM CURITIBA

QUINTA-FEIRA, 17 de julho de 1975. A empregada bate na porta do quarto, demoro a entender sua fala, a voz alterada pela excitação. O quê? Neve? nevando? Onde? Saio do quarto e do janelão da sala vejo uns pingos brancos caindo suavemente no chão do jardim E não é que era neve!
     Logo um tapete branco cobria tudo lá fora; saímos todos, e parecia que o resto da população havia tido a mesma idéia: as ruas estavam cheias de carros, uns buzinando para os outros. Vista do alto da Rua XV, na Praça das Nações, a cidade reluzia: era uma festa. Todos estávamos encantados, a não ser um bebê de menos de dois anos (hoje uma jovem senhora residente em São Paulo-SP), que logo demonstrou em alto e bom som que estava com muuiiitooo frio e de mau-humor.
     No Centro a história não foi diferente. Carros desfilavam com bonecos de neve na capota, alguns com a camisa do Coxa, outros do Atlético: rivais até debaixo da neve!
     E nevou ainda mais um pouco depois das onze da manhã, e outra vez à tarde. Então o sol foi baixando e o frio foi ficando brabo; tão intenso que na manhã seguinte os beirais do telhado estavam cheios de estalagmites da água que havia começado a escorrer e com os -6°(juro!) da madrugada congelou de novo, formando o lindíssimo  espetáculo.  
     Até hoje meu filho mais velho não me deixa esquecer: estava completando cinco anos naquele exato dia: isso sim que é efeméride! 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

NA MINHA MESA DE CABECEIRA

ESTÃO "Ao Correr da Pena" - José de Alencar;  "Relato de Um Certo Oriente" - Milton Hatoum; "Respiração Artificial" - Ricardo Piglia;  "Danúbio" -  Claudio Magris

JÁ ESTIVERAM  "Canibais - Paixão e Morte na Rua do Arvoredo" - David Coimbra;
"Austerlitz" e "Vertigem" - W.G. Sebald;  

ESTARÃO "Orfeu Extático na Metrópole - Nicolau Sevcenko;  "Caim" - José Saramago

M E N I N O

Fugia de casa
subia no morro
sumia no mato
o Sol! O Sol!
Fazia uma pipa
na linha cerol
de cola e de vidro
moído no trilho
da linha do bonde.

Uma vez foi um deles
que ia virando
saindo dos trilhos
por causa do pó.
Meu pai riu tanto
quando escutou!
Mas é que foi Zico
amigo do peito
quem me contou.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

EPHEMERIDES DO BARÃO

SEM DÚVIDA a mais importante é a que marca 122 anos da assinatura da Lei Áurea. Infelizmente até hoje ainda não muito bem compreendida por certos fazendeiros...

COMEMORA-SE da mesma forma a criação, por D. João VI, da "Impressão Régia", hoje Imprensa Nacional. Há 202 anos. Curiosamente aniversário - 41 anos - do Príncipe. Foi um dos mais importantes presentes que o Príncipe deu  a até então colônia portuguesa (só virou "Reino Unido a Portugal e Algarves em 16/12/1815), que perdera há muito sua importância pelo esgotamento das minas de ouro e diamantes.

terça-feira, 11 de maio de 2010

P O E S I A

                         M U R O S

Começo a construir um muro.
sou um ser de paz
mas temo a casa ao lado:
de lá não vem nada de bom

alicerce reforçado
uma altura que  propicie
um não ver a estranha face do outro:
fecho de ouro.

Descanso, enfim.
Ligo a TV
as notícias são péssimas:
americanos emparedam o México
Israel  cava fosso e ergue muralha.
Que mundo neurótico, oh Senhor!

EPHEMÉRIDES DO BARÃO

ONTEM, dia 10 de maio, há 221 anos:
     "Tiradentes, comprometido na conspiração de Minas, é preso no Rio de Janeiro, em uma casa da Rua dos Latoeiros, hoje de Gonçalves Dias, onde se ocultara"
     PARA espanto dos historiadores e horror dos mineiros, vou dizer o que eu acho: ainda bem que a chamada "Conjuração Mineira" (outros dizem Inconfidência) foi suprimida! Caso os conspiradores tivessem levado, muito provavelmente o Brasil seria outro: esquartejado como o pobre Alferes Joaquim José da Silva Xavier da gravura. Provavelmente quatro ou cinco países, sem a menor expressão, guerreando uns contra os outros. Minas, Bahia e Espírito Santo formariam uma república, Rio de Janeiro, São Paulo e os demais estados do Sul outro país, o Nordeste um terceiro e o Norte o Império do Grão-Pará, com a mais que provável tomada do Maranhão. O Centro-Oeste ficaria à deriva. Estaríamos no sal...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

AQUELA COISA DE RUMPELSTILZCHEN

NA ISLÂNDIA houve a erupção vulcânica que fechou durante dias os aeroportos de quase toda a Europa, causando o caos; na Grécia a crise financeira daquela economia, mais ou menos do tamanho do Estado do Espírito Santo, quase acabou com o planeta. O que tem a ver uma coisa com a outra?
     Bem, então eu recebi um e-mail onde me ensinavam a pronúncia correta do nome do vulcão. O link era de um site da BBC, onde uma mulher chamada Ingibjorg Thordardottiv ensina a pronúncia do nome do vulcão; vejam em
http://news.bbc.co.uk/go/em/fr/-/1/hi/world/europe/8637673.stm
     Aí então, logo depois de receber a mensagem e tentar pronunciar o nome do vulcão (foi bem difícil, mas devo ter conseguido) ocorreu o seguinte: hoje o mundo amanheceu com a notícia de que a União Européia vai despejar quaquilhões e mais quaquilhões em cima dos gregos para interromper a "sangria desatada"; e a intensidade da erupção diminuiu lá na Islândia!     CONCLUSÃO -  fiquei pensando com meu zíper: qual a relação desses dois fenômenos? Claro! Só podia ser isso! Irmãos Grimm!! Lembram daquela lenda medieval que eles transformaram em "história infantil" (cruzes!)? o "Rumpelstilzchen" ou "Rumpelstiltskin"? No conto a filha do moleiro casa com o príncipe, mas o duende que a ajudou a fiar palha e transformá-la em ouro exige como pagamento a entrega do filho dela: a não ser que ela adivinhe seu nome e o pronuncie em voz alta. Ela consegue fazer isso e o duende explode de raiva.
     FICOU CLARO? Todo mundo que, como eu,  recebeu o link e ao menos tentou pronunciar em voz alta o nome do duende vulcânico da Islândia contribuiu para que ele sossegasse e a Grécia entrasse nos eixos!! Foi isso que aconteceu, ora se não foi! Pois esse  cassino, essa jogatina desenfreada que tomou conta da economia da Terra nos últimos anos (e que ninguém mais consegue deter) só se entende como um conto de fadas: a diferença, infelizmente, é que no fim de tudo, adivinhem só o que vai explodir...

domingo, 9 de maio de 2010

MIGUEL TORGA (2) - Nasceu Adolfo Correia Rocha em 12 de agosto de 1907. Portugal. O vilarejo chama-se São Martinho de Anta, província de Vila Real, Trás os Montes. Sua aldeia e província são cenários de inúmeros contos, novelas e poemas. Uma das regiões mais pobres e desassistidas do planeta. Talvez por isso seus habitantes desenvolveram meios de sobrevivência tão peculiares, e inventivos, relatados por ele em sua obra. Mesmo assim, às vezes nem isso bastava e as fomes dizimavam populações. Desde tempos imemoriais até a pouco menos de um século, morria-se na míngua, nas montanhas do noroeste português. Miguel Torga, filho de lavradores, o ramo paupérrimo da família, empregou-se, menino ainda, como lacaio de libré em casa apalaçada dos parentes ricos do Porto. 
     Depois foram os estudos, a vinda para o Brasil, o tio, cafeicultor,  rigoroso e até rude, mas apesar disso sabendo vislumbrar no sobrinho dotes de inteligência que o  fizeram bancar seus estudos, primeiro no Ginásio Leopoldinense, em Leopoldina, MG, e depois, como prêmio pelo  esforço e perseverança do jovem Adolfo nas lides do campo, sustentando-lhe o curso de medicina em Coimbra.
     Fico imaginando como teria sido para o meu ancestral português, pouco menos de trezentos anos antes, na mesmíssima região (era de Freixo de Espada à Cinta): com certeza a pobreza era ainda mais dramática, a fome maior. No século dezessete Portugal, colônia inglesa, só devia importar à Grande Bretanha do Norte pelo vinho do porto, na região do mesmo nome, e pela cortiça para as rolhas, ao sul. As imensas colônias ao redor do planeta para quase nada serviam: aquelas que possuíam alguma riqueza (caso da Índia e poucas outras) logo logo foram administradas diretamente pelo poder dominante. Lugares sem a menor expressão econômica (Brasil entre eles) viviam à matroca. Não existia ainda o cultivo do café, os terrenos da cana nordestina se mostravam exauridos e o que ainda restara era dos holandeses. Minerais valiosos e gemas raras eram produzidos, milagrosamente, somente a oeste dos Andes: como se estes limitassem geologicamente o território. Aos espanhóis, louvores e lavores; aos portugueses, somente dores.
     Mesmo assim vinha-se para o Brasil. Devia ser menos pavoroso que as condições de vida(?) que enfrentavam os tramontinos naquela época. Dois séculos e meio depois, a conjuntura  já era outra. Aqui. Lá, a fome, o desânimo haviam crescido. Torga foi a planta selvagem que floresceu nesse ambiente tão profundamente escalavrado pelas vicissitudes. Sua fisionomia granítica denunciava-lhe a origem, seu nom de plume traduziu sua certeza de que mesmo ambientes sáfaros a esperança um dia medra.
        NA MINHA OPINIÃO,  uma coisa muito instrutiva é "ouvir o outro lado", a respeito de um fato. Descobri há pouco um comentário sobre o dia da morte do Getúlio Vargas, 24 de agosto de 1954, de ninguém menos que Miguel Torga, o poeta e escritor português.Aquele período caótico da história política coincidiu com uma visita que ele fazia ao país. Registrou ele: 
 "Guanabara, 24 de agosto de 1954.
     Deixo o Brasil envolvido em negrura. Escuridão física da noite, que oculta o meio geográfico num abraço espesso, e treva metafísica das circustâncias políticas, que cobrem de luto o país inteiro.
     Como de propósito, o navio largou ao cair da tarde. E é uma terra inconformada com a sua habitual rotação e sobressaltada com a inesperada rotação da história, que aos poucos me vai saindo dos olhos."
****************
     "Não, o eclipse é transitório. daqui a meia dúzia de horas amanhece, e há novamente confiança na carne da terra e na alma dos habitantes. Um sol que se põe e um demagogo sentimental que dá um tiro no coração criam habitualmente o pânico telúrico e social por instantes. Mas a sina do astro rei é renascer, e a dos tiranos, mesmo sentimentais, é morrer de vez" (Miguel Torga, "Diário-VII" 2ª ed. revista - Coimbra Editora, 1961)
     Acho fascinante observar a percepção de um fato como esse por um "alienígena", ou seja, alguém estranho ao dia-a-dia dos fatos políticos e históricos que levaram o país a aquela crise. Em princípio, reduzir um político da dimensão histórica de Getúlio Vargas da forma que ele fez chega perto de iconoclastia; mas se você pensar bem e conseguir se isentar um pouco, tal síntese não está tão despropositada assim... 

sexta-feira, 7 de maio de 2010




EPHEMERIDES (6 de maio) "1644 - O Conde João Maurício de Nassau entrega o governo do Brasil Holandês ao Supremo Conselho do Recife. No dia 11 segue viagem por terra, indo embarcar na Paraíba." ("Efemérides Brasileiras" - Barão do Rio Branco, Ed. Do Min. das Relações Exteriores)


Até hoje há quem discuta se a saída dos holandeses do Nordeste (que principiou com a ida do Conde de volta à Europa) foi um bem ou um mal. Os eternos detratores da Pátria Amada salve salve dizem que eles iam fazer uma nova Holanda lá e em consequência o país todo seria rico e poderoso, diferente desse que temos hoje, etc. e coisa e tal. Os que defendem os heróis de Guararapes dizem que basta olhar para o Suriname ou outra colônia holandesa naquelas ilhotas do mar do Caribe para ver que droga que ia virar. Treplicam os primeiros dizendo que eles saíram do Recife e foram fundar Nova Amsterdã, que por isso é hoje simplesmente a "Big Apple", a cidade mais badalada do mundo


Eu? Bem, eu acho que isso é que é uma discussão bizantina. Faz mais sentido, na minha modesta porém sincera opinião, procurar saber por que até hoje o Brasil é, em muitos e muitos aspectos, uma "coloniona". A conversa podia partir da dificuldade que as pessoas honestas e trabalhadoras têm, para progredirem, pois competem com um exército que parece ser de ocupação, uns arrasa-quarteirões que utilizam todo e qualquer artifício desonesto para enriquecerem às custas dos demais, etc. etc etc. E principalmente discutir qual a saída para esse estado de coisas que se eterniza. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi um bom começo para colocar as finanças municipais e estaduais em dia? E é possível que nós consigamos fazer passar (e principalmente vigiar bem de perto sua aplicação) a Lei da Ficha Limpa? Etc. etc. e muitos mais etc. Nesse tempo utilizado por mim para escrever essa matéria, o planeta já viajou milhares de quilômetros espaço afora. O que passou, passou! Vamos em frente que atrás vem gente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

JOSÉ DE ALENCAR (II) - Ainda a respeito do "Ao Correr da Pena", há uma deliciosa crônica de 1854 (setembro) noticiando a inauguração do Jockey Club. Um jovem Alencar deixa-se levar pelo entusiasmo e fotografa fielmente não só a paisagem local como da fauna humana que compareceu ao evento, os "grupos dos gentlemen riders" e os mais abonados, que foram no "cupê aristocrático tirado pela brilhante parelha de cavalos do Cabo".
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Fiquei curioso. Jockey Club em 1854? Já ouvira falar do Derby Club, que ficava onde hoje é o Maraca e o Campus da UERJ, mas Jockey para mim começou na Lagoa. Pois não é que turfe era naquela época, o verdadeiro "esporte das multidões"? Havia de tudo, de raias nobres onde corriam consagrados campeões a campinhos suburbanos onde a população humilde não deixava de fazer sua fezinha. E isso vinha dos tempos antigos...

Se quiser saber mais, olhe em http://www.serqueira.com.br/, de onde tirei esses detalhes. só não sei ainda o que o J.Alencar queria dizer com os tais "cavalos do Cabo". Perguntarei a quem entende do assunto e depois eu conto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010


PS - sabe aquele escritor que poucos gostavam mas que éramos obrigados a conhecer, uma vez que era leitura obrigatória para os exames vestibulares do Oiapoque ao Chuí? Falo de José de Alencar e sua obra: "Cinco Minutos", "Senhora", "A Pata da Gazela", "O Gaúcho", "O Tronco do Ipê", e a mais célebre, "Iracema" . Bem, além de romancista e político, Alencar escrevia na imprensa carioca, deixando um grande número de crônicas publicadas na época. Agora, graças ao trabalho da Editora Martins Fontes na coleção "Contistas e Cronistas do Brasil" essas crônicas podem ser apreciadas em uma edição cuidadosa, preparada por João Roberto Faria, que também assina a introdução do belo volume: "AO CORRER DA PENA". Como era o Rio em 1854 e 1855. Gostei e recomendo.

NOTA - no dia de hoje, em 1880, morre em Lagoa Santa Peter Wilhelm Lund, o pai da paleontologia brasileira. Dr. Lund, nascido na Dinamarca, deixou importantíssimo trabalho quanto às origens do homem sul-americano, dedicando todos os seus dias as pesquisas de campo na região de Lagoa Santa, MG, recolhendo milhares e milhares de fósseis animais e vegetais. Graças a essa formidável dedicação, temos hoje um punhado de cientistas brasileiros dedicados ao tema e desenvolvendo novas e fascinantes pesquisas na área, além de alguns pesquisadores europeus e americanos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

OUTONO


M A I O

Era gostoso pisar nas frutinhas caídas nas calçadas claras

croc croc croc croc croc.

Um que outro automóvel rodava pensativo,

evitando em silêncio os postes do meio da rua.

À noite vinha o frio, por enquanto ameno

e a Serra do Curral nos sorria, dentes ainda perfeitos.