quarta-feira, 27 de setembro de 2017

C H U V A



     
         APÓS quatro meses de seca, chove no Distrito Federal. Chuvinha manicotinha,  durando o dia todo. O solo, as árvores e os pássaros alegres como nunca vi. sabem por que?



      QUANDO CHOVE É QUE FAZ BOM TEMPO!!


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

BABEL SEMPRE

   




 A MAIS PERFEITA  das metáforas é exatamente a Torre de Babel; como poderia dar certo um bípede implume e ainda por cima falante?

sexta-feira, 24 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO - IV


     
      O caos permanente provocado por um tecido social de baixíssima qualidade, originado primeiramente pelo obscurantismo dos primeiros "descobridores", já eles patronos de um tipo de estado e nação ultrapassado e sem lugar no mundo, foi o pecado original da nossa sociedade.
      E de lá até hoje ainda não conseguimos nos livrar desse anátema, dessa abominação que nos tornou reféns de uma crise na qual tentamos ir sobrevivendo há mais de cinco séculos, ora recrudescente ora dissimulada, mas presente, sempre presente.
      É, convenhamos, maneira extremamente perversa e cruel de viver. Geração após geração, os sobressaltos se renovam. Os assaltos ao Estado se sucedem da parte dos mais ousados ou menos temerosos, a maior parte das vezes com sucesso, dada a fragilidade dos meios coibidores dessas ações perniciosas. 
      Além de extremamente incompetentes, as diversas agências governamentais criadas no calor de sucessivas crises e destinadas a combater e coibir tais práticas criminosas são em grande parte infiltradas por rivalidades políticas que as levam a competir entre si, até o ponto do entredevoramento. 
      Daí temos o funesto resultado da inocuidade dos famosos "rigorosa apuração dos fatos", "custe o que custar", "doa a quem doer", retórica despida de qualquer sentido prático, mendaz e perniciosa, que os divulgadores se apressam em tornar públicos, funesta prestidigitação que faz valer o rumor, a balela gratuita e mendaz, em lugar dos fatos.
      A nação debilitada e sem rumo segue presa de aventureiros de todo tipo, de assaltantes truculentos, finórios oportunistas, até grandes operadores de planos bem articulados. Os poucos justos se desesperam, vendo o esforço nacional ser espoliado por grupelhos e quadrilhas,  sem que a imensa maioria tenha acesso ao menos aos serviços e oportunidades obrigatórios em qualquer estado organizado. A justiça enreda-se em leis e regulamentos às vezes conflitantes, em recursos infindáveis e sem outro propósito que o protelatório deixando assim de cumprir seu papel de atender às demandas populares pela imensa distância na qual paira. Lerda e por isso mesmo extremamente onerosa, eivada de recursos a mais das vezes protelatórios, ainda por maior infelicidade é vítima de seus principais operadores. Estes que deveriam ser também guardiães da moral pública, infelizmente cultivam ao delírio o egocentrismo e o narcisismo mais boçal, falham clamorosamente  no dever fundamental a que se vincula: dizer a lei, jurisdicto; fazer chegar até o povo o devido processo legal que objetiva sempre, a Justiça. 
      Desse modo ferido, frustrado, afastado das riquezas que o país tão "generosamente" dispersa aos quatro ventos, seu povo rasteja no inferno periférico onde penam imensas parcelas do povo brasileiro. Esses infelizes, o Estado ignora-os; ou, quando para eles olha, é com a feroz mirada da repressão, pretextando zelar pela "segurança" e pela "paz social". Nessas camadas onde sobrevive precariamente a maioria, a convivência permanente com extremos da violência e de abusos inomináveis. De outra parte a obrigação estatal insculpida em nossa Magna Carta, saúde, educação, emprego, moradia, transporte, saneamento básico, luz, água, cultura, diversão, repouso remunerado e mais um sem número de obrigações são ignoradas pela criminosa omissão estatal.
      O brasileiro odeia e despreza o Estado; por que? Porque desde que começou a existir ele jamais se despiu da fantasia da imensamente arcaica contra-reforma, dos usos e costumes medievais. Parado no tempo, é generoso com pouquíssimos e verdugo implacável de quase todos. Pela sua própria constituição histórica que nunca abandonou e da qual jamais conseguiu evoluir, deixou-se envolver por uma muralha inexpugnável criada pelos oportunistas e aventureiros de toda espécie, que usufruem de todo privilégio e esbanjam toda a imensa riqueza de uma das maiores economias do mundo, deixando a população à míngua. 
(Continua depois)
      

terça-feira, 21 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO - Parte III

      A universalidade e a antiguidade histórica da corrupção são facilmente percebidas ao longo da vida dos homens. Do mesmo modo, observamos tratar-se de uma pandemia, cujo vírus circula livremente, contaminando um país ou uma vasta região, não respeitando fronteiras ou hemisférios. Sofreram dessa peste nos anos 80 os japoneses (lembram-se? quedas sucessivas de primeiro-ministros e respectivos gabinetes? Suicídios, julgamentos espetaculosos tipo "lava-jato", etc?). Da mesma forma foram vítimas os suíços, dinamarqueses, ingleses, italianos, chineses, etc. Enfim não há no mundo um só recanto imune a essa praga.
       A sofisticação dos meios e modos com os quais ela, - talvez a partir do momento em que  tornamo-nos agricultores e criadores -  sofisticou-se e avolumou-se aos incríveis padrões e números da atualidade, mostra-se ainda mais cruel em países como o Brasil e assemelhados.
      Isso porque nosso país mal e mal consegue - ainda nos dias de hoje - dar os primeiros e tímidos passos rumo à descolonização. Afinal, independência não é um grito, um gesto, um momento: é todo um clima que ocorre em todos segmentos sociais, trazendo consigo a maior de todas as qualidades intrínsecas as quais o homem moderno pode aspirar: a da sua cidadania. Sentir-se dono, proprietário e, sobretudo, responsável, juntamente com sua coletividade, pela terra em que nasceu e viverá até o fim. E na qual viverão  seus descendentes.
      O pior dos males da colonização é exatamente esse (do qual ainda padece imensa parcela de brasileiros): o sentimento atávico de inferioridade, acrescido da visão equivocada de que esta terra é de "alguém" a nós estranho, de onde devemos arrancar tudo o que pudermos, de qualquer  maneira - seja legal, ética e moral ou não -  e rapidamente fugirmos para o nosso verdadeiro "país" , um shangrilá sebastianista que ainda persiste num imaginário social equivocado e sem sentido.
     (Continua)

domingo, 19 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO - Capítulo 2



       Há mais ou menos 10 anos que a imprensa, massivamente, cobre com extrema espetaculosidade esse tipo de matéria. O resultado obtido por essa  cobertura, com ênfase escandalosamente parcial, é que ela cria na mente de muitíssimas pessoas um sentimento de que nada aqui presta. O Brasil, pensa grande parte da turma, é o pior país do mundo! Só dá ladrão! E aí correm todos para as ruas, onde respiram a dose diária de gás e tomam porrada dos PMs. E aí tudo outra vez vira notícia e vídeo, mostrados à exaustão nos jornais da tv.
      Dito isso, esclareço que nada mais equivocado que essa visão. Nós já podíamos ter começado a desconfiar que esse sentimento de raiva impotente, de ódio indiscriminado aos poderes, de vontade de chutar o balde e o que mais estiver à frente é, na verdade, inculcado diariamente  em doses cavalares, até que ultrapasse o limite e o brasileiro, tomado por fúria incontida, chame os milicos, o Superman, Batman, o Capitão Caverna ou até o cramunhão, o próprio: alguém que dê um jeito nessa porra dessa bagunça, pô!
      Aquele velho sentimento de inferioridade étnica, social e, quem sabe, sexual, é muito espertamente aproveitado. O resultado disso é que tornamos, dia a dia, delirantemente paranoicos. E isso é um sofrimento pendular e repetitivo, que nos tolhe e nos paralisa.
      Pois bem: gostaria agora de deixar claro o seguinte: corrupção, propina, suborno, todos esses crimes são próprios do homem. Já na ancestralidade dos australopitecos ou dos neandertais, o macho-alfa vivia cercado de machos e fêmeas a ele servis, configurando uma verdadeira "corte", na qual a competição se dava, provavelmente, de forma muito similar a aquela que perdura até hoje em qualquer sede de qualquer governo. Do grupo dirigente da GRES Unidos do Brobrobó até o gabinete do Secretário-Geral da ONU. Dos inuítes aos neozelandeses, passando por Europa, França e Bahia.
      Continuo depois.
     
     

sexta-feira, 17 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO

   

      Espero que as donas-de-casa estejam fiscalizando minuciosamente essa lista. Há de tudo, lá. De ovo podre até alfacinha nova, de tomate estragado à batata baroa, esposa de notório "barão malfeitor" .
      Eleita como prova cabal e definitiva da roubalheira geral por uns, e demonstrativa de nefandas conspirações de agentes públicos que se dedicam à demolição do estado democrático de direito por outros, está ajudando como nunca, antes, nesse país, a imprensa (principalmente a TV) na divulgação de seus anúncios de sabão-em-pó e produtos de maquiagem de senhoras e senhores. Quanto a estes, nunca se vendeu (mesmo sem propaganda) tanto óleo de peroba no Brasil.
      E como até eleição do Papa em nosso país vira guerra de torcidas  futebolísticas, abundam palpites e opiniões, das mais sensatas às mais disparatadas, e, ouso dizer, até mesmo algumas que só podem  ter saído de mentes obsedadas.
      E como se isso tudo não fosse o suficiente, tem sempre aquele pessoal que aproveita a maré para, dizendo estar "enojado" ,  e outros adjetivos menos publicáveis, do nosso Brasil, se manda para essa terra da eterna juventude, a Flórida mítica de Ponce de León e Álvaro Nuñes Cabeza de Vaca. Na maior parte dos casos trata-se pura e simplesmente de evasão de divisas e sonegação fiscal, como foi no caso daquele par de vigaristas que se diziam "pastores", lembram?
      Esse - corrupção - é um tema que rende umas dez ou mais publicações (não entenderam essa última palavra? tentem "post" ). Daí que, como não estou pretendendo cansar ninguém com uma quilométrica apreciação sobre o candente tema, vou parando por aqui, prometendo continuar dia desses, quem sabe amanhã?

quarta-feira, 15 de março de 2017

POEMA PARA OS TRÂMITES DA TARDE EM CURSO

Tolos percorrem estradas,
querendo logo chegar;
sábios trilham caminhos
em afável caminhar.