terça-feira, 16 de setembro de 2014

IMÓVEL E INSENSÍVEL

     O Estado Brasileiro é uma rocha dolomítica: nada o abala. Mas isso, quando se trata de um país habitado, com povo e um arremedo de organização política, como no nosso caso, é uma tragicomédia
e nada mais que isso.
     Nos diversos regimes sob os quais vivemos nos últimos 514 anos, após o "destapamento" português, jamais fomos capazes de criar um aparelho estatal que efetivamente associasse a nação a aquele; melhor dizendo, não conseguimos ainda nos livrar do Estado Colonial, dirigido a favorecer uma pequenina porção de pessoas, geralmente as mais gananciosas e inescrupulosas, ao invés de universalizar de maneira democrática as oportunidades.
     Daí, dessa nossa incompetência firmemente enraizada, nasce o Brasil: um dos países mais injustos do Mundo, onde a preocupação maior é e sempre foi a de criminalizar a pobreza.
     Mais de noventa por cento favoráveis, entre outras aberrações imbecis, à "diminuição da idade penal" demostram que somos isso que somos: um aglomerado de gente sem a menor noção  de cidadania, sem a menor educação cívica, sem solidariedade alguma com os menos favorecidos. Uma raça de pigmeus oportunistas, farisaicos, vorazes e cínicos, nada mais.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A RESPEITO DO LIMBO

     Vendo o post de ontem (hoje?), veio-me à mente aquela série de TV tão famosa, mas da qual jamais vi um só capítulo: "The Walking Dead". A idéia, como metáfora da humanidade é ótima. Os americanos, como sempre fazem, certamente  deram uma "acoxambrada" (gíria antiga, não liguem não) no "plot", meteram lá umas armas nas mãos dos "humanos" explosões de corpos putrefatos, etc. e virou aquela bosta que até meninos de oito anos acham besteira.
     Mas então vi um filme-documentário chamado "Aftermath" e entendi. Nada de céu, limbo, inferno: estamos no fim de nossa jornada neste planeta, um fim inglório e provavelmente com muita violência, tanto entre nós mesmos como da natureza,  nesses milhares de anos tão profundamente alterada pelo homem. Segundo o filme, as baratas e os ratos também se extinguirão, pois vivem enredados a nós (fiquei surpreso com isso, mas no filme as explicações para a extinção desses animais fazem sentido)
     Dante queria se livrar de muitos desafetos quando escreveu a "Divina Comédia": botou a todos no inferno e sua poderosa imaginação criou todo um sistema hierárquico naquele ambiente "dantesco" onde eles, seus inimigos, sofressem o diabo pelo  resto da eternidade. Muito mais modesto e sem o menor sinal da genialidade do florentino, concordo com o fim do filme: daqui a uns 20 milênios nem o mínimo vestígio de nos existirá na Terra. Apenas na Lua restará uma bandeira imóvel, uma estranha geringonça de quatro rodas e uma pegada indecifrável.

Hoje

     O DIA DE HOJE já ficou para ontem. Amanhã por enquanto inexiste. Deve ser o limbo (às 0h.)
Mãos sufocadas
LIMBO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ELE VAI FAZER MUITA FALTA














      EDUARDO CAMPOS está morto. Violentamente nos foi arrebatado por essa "Caetana" como dizia outro recém-falecido e a nós igualmente caro, Ariano Suassuna. A diferença é que Ariano deixou saudades, é claro, mas também nos fez a todos herdeiros de uma vasta obra, onde podemos sempre estar com ele na hora em que quisermos. Eduardo Campos mal iniciava uma luminosa caminhada política, que certamente o traria no futuro, novamente a empunhar a bandeira do povo: do seu povo pernambucano, nordestino, brasileiro. Seria o candidato ideal para, talvez  em 2018 ou um pouco mais adiante, quando estivesse pronto e acabado para continuar esse projeto de um país de seus filhos, todos eles, não um punhado de idiotas reacionários e  burros. A senzala está de luto, os "senhores da guerra" choram suas lágrimas de crocodilo e nos afrontam com sua hipocrisia estampada por seus sabujos dos jornais e tvs comprometidos com a banda podre nacional.
     Comove-me a morte brutal desse rapaz, que bem poderia ser ainda um verdadeiro líder nacional de todo o povo brasileiro. "Caetana", mais uma vez, parece estar de sacanagem com o Brasil. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CARLITOS E O ANTICRISTO















     CHARLIE CHAPLIN já havia dito (naquela sequência genial do "Tempos Modernos"): o cara que inventou a linha de montagem era o anticristo encarnado. Nada melhor para transformar o ser humano, o antigo cidadão em mais uma engrenagem, pueril ferramenta que de maneira automática aperta sempre da mesma maneira porcas e parafusos, dia e noite, ininterruptamente.
     Como o diabo logo deixa enorme descendência, a coisa hoje é tão temerária que você olha uma dessa fábricas modernas e não sabe diferenciar o que é robô-máquina o que é robô-gente. Roubaram nossa humanidade! E a maioria bate palmas e pede bis!!
     Essas tais "montadoras" deixam suas células cancerosas no mundo inteiro. São chamadas carros ou automóveis. Aqui no Brasil matam mais que tuberculose, que infarto do miocárdio, que tiro de bandido. E todo mundo que tem um se orgulha, quem não tem sonha em ter.
     Na maior parte do planeta os patetas de lá já perceberam a armadilha e lutam desesperadamente para sair fora: seja através de soluções que simplesmente proíbem-lhes (os autos)de trafegar, seja através do oferecimento de opções de transporte coletivo às vezes até gratuitos.
     Aqui basta ver os olhinhos brilhantes com que os pobre diabos dos repórteres anunciam na TV: "Em São Paulo o engarrafamento atingiu 4 mil quilômetros! UAU!! Recorde mundial!!
     É verdade: o chifrudo está levando esta por muito mais que 7X1...
(direitos autorais da foto: ÊLE!)

    
    

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

TRÊS SÁBIOS SÍMIOS

    

ERA UMA VEZ TRÊS. Macacos. Faziam uso sábio e coerente das mãos. O primeiro dos antropoides as usava. Tapava com elas os olhos, para não ver a selvagem luta. Que se engalfinhavam os outros.
     O segundo deles usava as palmas comprimidas contra as orelhas. Não escutar a tremenda algaravia dos demais.
     O macaco terceiro cerrava os beiços e os apertava com suas mãos. Não ousava dizer nada a respeito da delirante loucura da tribo inteira.
     MAS os olhos dos três, completa e indizivelmente arregalados. Tudo viam. Ouviam. Gritavam.

sábado, 26 de julho de 2014

A LISTA ERA A OUTRA !




"CAETANA" , sua cretina idiota: você está com a lista errada!!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

SERVBEM FOREVER!

 
 
 
O N E   F O R   "Z  Í R O U!"
 
 
NESTA TURMA NINGUÉM MORRE. TODOS ESTAMOS PRESENTES,
DIÁRIA E COTIDIANAMENTE  PRESENTES
EM NOSSOS CORAÇÕES & MENTES.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

... E NÃO RESTARÁ PEDRA SOBRE PEDRA...

 
 
 
 
 
 
L I T O G L I F I A
 
a pedra, na água parada
que reflete o chumbo do céu.
Neste, nuvens baixas e tristes
se arrastam, pesadas ao léu.
 
No mais fundo do abismo
a pedra em submersão
dissolve-se impressentida,
é termo sem remissão.
 
Areias que se escoaram
velhos mares esvaecidos
 antigos acordes de morta canção.
 
A pedra, parada na água
e lentamente sorvida,
espelha o coração.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

PELO MENOS ISSO!











     POUCOS sabem, mas o Brasil é bicampeão mundial de futebol... de botão (modalidade 12 toques). Não é nada não é nada...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

VAN JÁVAI VAN JÁVEM.... (Stalisnaw Ponte Preta)








   

     ERA UMA VEZ, há muito e muito tempo, quando havia um jogo chamado "futebol". Parece que foram os ingleses os primeiros a inventarem regras ("rule Britannia!" - já conclamava a Rainha Victoria): delimitaram o campo, colocaram balizas, etc. Antes se jogava com côco, crânios, filhotes de carneiros (até hoje ainda se joga assim nas planícies mongóis - eles acham divertidíssimo), e até bola, um "cubo esférico" (disse-o um matemático semana passada), cheio de ar, pesando algumas libras e etc.: aquelas medidas de peso complicadíssimas (inglesas of course).
     Vanja vai, Vanja vem, houve um país, naqueles tempos remotos, que se declarou o dono da bola, o rei do jogo, por aí. Era um paiseco onde todos roubavam, desde que suas terras foram destapadas, no dizer dos europeus que primeiro lá chegaram. E imediatamente os gajos (como eram chamados) começaram a nos roubar: terras, minerais preciosos, madeiras de lei , etc., tudo fundamentado por uma complicada crença que diziam ser católica, mas eram pretextos mentirosos e imorais para o aviltante roubo. Servia para acalmar suas consciências(?), enquanto saqueavam, matavam, estrupavam, destruíam o meio ambiente, promoviam a desertificação de áreas imensas, enfim, um horror, o horror! disse um deles lá, um polonês que "inglesou" o nome e a sua escrita, fazendo muito sucesso entre seus pares(*).
      Com essa criminosa desculpa, os habitantes do tal país, além de permitirem que o roubo continuasse séculos afora, também eles (ou alguns deles) começaram a participar do assalto, amealhando, dessa maneira, fortunas imensas.
     Esses gatunos eram prolíficos e logo deixaram imensa descendência, toda ela calcada nos mesmos princípios aéticos e imorais dos antepassados: daí então que a sociologia descobriu uma nova classe social, existente nesse infeliz lugar: a CASA GRANDE. E como toda tese traz em si a sua antítese, logo logo viram que o "resto" - a imensa maioria - era a ZENZALA.
     Apesar de todos esses percalços, não foi que o tal país cresceu? de maneira penosa (sem trocadilhos, por favor), enfrentando todo tipo de dificuldades, de armadilhas colocadas em seu caminho pelos larápios internacionais e nacionais, o povo foi se educando da maneira que era possível, foi se multiplicando, foi percebendo que não havia motivo algum para viver "de favor" na terra que era desde sempre deles. Não podiam aceitar mais o infamante epíteto de invasores, quando eram os legítimos senhores. Eles, o povo, e não aquele punhado de "happy few", os moradores da casa grande.
     E começaram, a princípio de modo tímido (e apanhando muito da polícia) a reivindicarem seus direitos de cidadão, embora a maioria nem soubesse direito o significado da palavra. Mas esse movimento inicial tomou corpo, veio crescendo, aos trancos e barrancos, mas crescendo, tomando fôlego, virando uma onda no mar, cada vez maior, um "tsunami" humano se aproximando da costa da pirataria, que apavorada não enxergava mais como escapar.
     O "horror" do Conrad (o tal escritor polonês) não é, como pensam esses  elementos privilegiados (que gostam tanto de lê-lo, pois tem "mensagem" - como se um carteiro o autor fora) o coração das trevas, o ignoto, o desconhecido, o atávico medo ancestral do escuro, das feras traiçoeiras, do aniquilamento: o verdadeiro horror infernal é exatamente o que essa classe dos detentores do poder universal implantam nos corações e mentes da maioria, para melhor destroça-la aos poucos e ir engolindo-a aos pedaços. É o gene defeituoso que essa gentalha tem.
     O "horror" é a fome imposta, a ausência de saneamento, de escolaridade, a ignorância, a falta de meios eficazes de autocontrole da natalidade, a falta de moradia, de hospitais, de escolas, de transporte eficaz e de emprego. Foi tudo isso que há muito pouco tempo, uma fração de segundo a considerar os quinhentos e tantos anos do "destapamento", que começamos a ter, com governos efetivamente preocupados em minorar essa infame dicotomia imposta a ferro e fogo pelos "Donos do Poder"(**).
     Então estes últimos iniciaram uma sórdida campanha de desmoralização dos governantes, ao mesmo tempo em que promoviam uma verdadeira "cruzada santa do pau oco" em favor dos seus representantes. E quanto mais infame é essa campanha, mais percebemos o cinismo deles: arregimentam pessoas inicialmente bem preparadas, com algum tipo de percepção dos verdadeiros problemas nacionais, mais que possuam um ego de bom tamanho. E é com essa vaidade que eles trabalham, promovendo inicialmente uma "lavagem cerebral", uma doutrinação que arranque de seus corações e mentes quaisquer sentimentos que possam ainda ter em relação ao problema social, transformando-o, como disse um deles há muitos anos em "caso de polícia". Então, o que deixam permanecer, fortificado, engrandecido güela abaixo como um marreco é somente o mencionado "ego",  mais e mais senhor de toda a personalidade do candidato. A vaidade se torna seu farol, sua bússola a guiar seus passos, sua estrela guia, seu Norte. Por trás dos panos manobra o verdadeiro governo, no dizer dos franceses, "L'éminence Grise" o controlador de marionetes.
     Isso, que  foi um fato imutável durante cinco séculos, agora vem deixando lentamente de sê-lo para virar um passado do qual todos um dia vamos esquecer. O avanço, entretanto é difícil e sujeito a retrocessos. Agora mesmo haverá uma eleição nesse país:  de um lado, as forças progressistas irmanadas a todo o povo, lutam para que as conquistas dos últimos anos continuem. A candidata desses é a atual governante, dizem que uma senhora voluntariosa, pouco afeita ao diálogo, impaciente com os meandros da política, com escasso trato social; mas uma pessoa honrada, digna, trabalhadora e com o sentimento de pátria incrustado no coração; contra essa e apostando no retrocesso, os conservadores e demais forças reacionárias trouxeram um jovem bem-apessoado, bom rapaz, "de boa família", cuja carreira política desenvolveu-se à sombra de seu avô, famoso político da escola conservadora.
     A tática não muda: o papel celofane é novo, enfeitado com fitas verde-amarelas, reluzente: o pão é feito da mesma massa, do engano da fraude, da mentira, do golpismo, da falsidade. Para isso os cordões são manejados magistralmente, de tal forma que uma pessoa ainda não inteiramente preparada se transforme no "líder infalível e todo-poderoso que irá nos redimir". De quê? Pergunto. O que anda errado no "país do futebol"? Será que pensam que a desgraceira de ontem, quando a Seleção do país sofreu um terrível abalo, sendo humilhantemente derrotada? Acho que não. Futebol é isso. Apesar dos pesares, é somente um jogo. Do qual aliás o povo foi expulso, quando entregaram a organização para um conhecido grupo de bandidos internacionais que açambarcaram tudo o que envolvia o esporte e começaram com os abusivos e indecentes preços dos ingressos. Só pequena parcela da população conseguia adquiri-los, talvez menos de 0,5% (em termos populacionais isso dá um milhão de pessoas aproximadamente: apenas um punhado de gente, se considerarmos o total). No entanto mais do que suficiente para encher os estádios ("arenas" na malícia dos enganadores) e aparentar um cenário diferente da realidade, que foram os telões gratuitos em locais populares e as TVs dos botequins da vida.
     Continuando essas reflexões já de noite, vi que a Argentina classificou-se nos pênaltis para a final contra os alemães. Torço pela primeira.  Uma vez que ela, a taça, não passou de miragem para nós, que fique aqui por perto. E que a próxima competição traga alegrias para nós e finalmente ela seja livre de manipulações criminosas, dos roubos, da chicana. Quanto ao outro jogo, esse verdadeiramente fundamental para a nação, que seja o povo seu único vencedor.
(*) O nome do moço era Jósef Teodor Konrad Nalecs Korzeniowski. Apesar da grande admiração que nutria pelas baleias, achou que seu nome próprio era um descomunal cetáceo a lhe tolher o caminho da glória literária, e assim o anglicalizou para Joseph Conrad.
(**) "Os Donos do Poder" é uma das obras fundamentais do nosso país. Escrita em meados do Século XX, seu autor, um advogado e pensador chamado Raimundo Faoro, enquanto vivo deixava uma luminosa trilha de seus passos pelo Brasil afora, aclarando com seus conceitos e o afiado senso de proporção e crítica as mentes (e por que não os corações) daqueles que tinham contato com seu verbo candente e preciso.

sábado, 5 de julho de 2014

MUDANÇAS NO JOGO







     AS ALTERAÇÕES que ocorreram no futebol, de uns tempos para cá, estão sendo demonstradas de modo insofismavelmente claro no Campeonato ora em disputa no Brasil. E os indícios, também claros, estão aí para quem quiser: primeiro a insistência da FIFA em alterar o nome dos estádios para arena, onde uma antiga medida de comprimento da Hélade histórica, usada para marcar diversas modalidades das antigas olimpíadas, vira um coliseu romano, cujo piso era inteiramente coberto de areia, no intuito de absorver com rapidez a grande quantidade de sangue derramado. E quanto mais sangue, trucidamentos, esquartejamentos havia, mais a "torcida" urrava de satisfação.
     Em segundo lugar observamos que os árbitros estão claramente sendo orientados a não marcarem faltas e muito menos pênaltis; a usarem advertências verbais no lugar dos cartões amarelos (que aliás são mais, ou menos utilizados, a critério e juízo de cada um, conforme se lhes der nas respectivas telhas). Tradução disso: "deixem o jogo seguir sem muita parada, pois é melhor para os negócios, para os  anunciantes, etc: é mais grana, ô meu!"  O que ocorreu no gramado (ou seria mesmo arena?) na partida Brasil x Colômbia é um exemplo perfeito disso: mais que futebol houve espacamentos de lado a lado (neste quesito fomos inapelavelmente derrotados), culminando com a maldosa entrada por trás em nosso principal jogador, causando-lhe uma lesão que poderá vir a ser mais grave do que estão dizendo.
     Se quiserem violência explícita, assistam às lutas dos MMAs da vida;  agressões imotivadas e sanguinolentas, partidas de hockey no gelo  ou filmes do tipo rollerball. E srs. dirigentes da tal organização futebolística, dirijam-se ao portão da cadeia mais próxima, dissolvam essa federação criminosa e deixem o futebol para os jogadores de verdade, cujo número escasseia a cada dia, eliminados dos campos pelos Zúñigas da vida.
PS. minhas homenagens ao senhor D. Alfredo Di Stefano um dos maiores craques do futebol mundial, que no momento está lutando pela vida. Força!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

PARA BOI DORMIR...



A   H I S T Ó R I A   É      um bolo de fel,  confeccionado com os ingredientes da  violência, dos roubos,  dos genocídios e toda  espécie de vilania que o homem comete contra seu semelhante. E contra qualquer outro ser vivente (a começar de Gaia, a Terra: ela vive, sabiam?).        
           De maneira no mínimo cínica, ela nos é apresentada através de enganosas preleções e encorpados volumes, como se fora um nobre processo civilizatório. Também, pudera: jamais vi a História escrita pelos derrotados, pelos sem-terra, pelos despossuídos de todo o Planeta.  Por isso trata-se apenas de um  engodo,  um doce encoberto pelo glacê da enganação, da tramóia e da crueldade. Quem tenta mudar é reprimido de todas as formas possíveis e imagináveis, até com a eliminação física do audacioso. Os nomes de Esquivel, Galeano, Werneck Sodré, Prado Jr. e mais recentemente os heróis que desvendaram a porca espionagem americana vêm-nos à mente, como alguns do pequeno número de sobreviventes. Os que foram eliminados contam-se aos milhões, a partir daquele homem, um amalucado visionário que um dia foi crucificado e daí em diante veio servindo (involuntariamente e contra a sua pregação em vida) de pretexto para a maioria das hecatombes humanas.

terça-feira, 1 de julho de 2014

MILAGRE DAS ÁGUAS











   COM as eleições  gerais cada dia mais próximas, as barragens do Estado de São Paulo encheram-se com o silêncio cúmplice da oposição ao Governo Federal e da grande imprensa, que nada vê, nada fala, nada ouve que não seja a "Copa" Seria estranho se não fora o esperado dessa gente...


quinta-feira, 26 de junho de 2014

OUVAIOURACHA!


RECEBI um e-mail da organização  "Avaaz" a respeito de movimentação através de abaixo-assinado, no intuito de motivar os dirigentes de diversos países (reunir-se-ão em 21 de setembro próximo) a promoverem medidas efetivas e permanentes que possam salvar o nosso planetinha azul. Acho que o (criminoso) processo de degradação ambiental, que iniciamos há muitos séculos, não tem mais saída. Já fomos para o buraco. Em todo o caso, pensando nos netos e na cada vez menor probabilidade de vida plena que eles terão daqui para a frente, resolvi participar do movimento. Então, seus calhordas, POUPEM!! tudo que for reutilizável que o seja; que o lixo seja totalmente reciclado sempre; que a procriação seja responsável e cuidadosa, os métodos anticoncepcionais sejam divulgados através da ONU em todos os países-membros, principalmente naqueles em que ainda persistem altas taxas de reprodução humana. Mesmo que isso signifique passar por cima de dogmas religiosos ou crenças arcaicas, a salvação de toda a humanidade depende da energia com que forem implementadas essas medidas. Ninguém sabe quantos seres humanos a Terra suporta, mas todos agora reconhecemos que sete bilhões é excessivo e inviável. E esse desastre populacional é facilmente contido com esclarecimento e medidas profiláticas. AGORA, JÁ, NESTE INSTANTE!!https://secure.avaaz.org/po/join_to_change_everything/?bKqLadb&v=41688

quarta-feira, 25 de junho de 2014

DISTRITO FEDERAL E A POLÍTICA(GEM)

 CADEIA PARA ESSA GENTE!
(soltem os pobres animais do zoológico e prendam essa corja de vagabundos!!

Política Candanga: inferno para os eleitores, paraíso dos políticos pilantras e infratores. LEI NELES!!                    

segunda-feira, 23 de junho de 2014

T0D0S ESTAMOS NERVOSOS



Umberto Eco nos informa das agruras dos ricos[1] :  preocupados com a deterioração continuada que até a simples respiração (sem contar o lixo) de sucessivas hordas turísticas vêm trazendo aos monumentos  históricos, construir-se-ão réplicas dos mesmos. Ao custo de alguns bilhões alguém (não é esclarecido se um grupo empresarial ou o próprio Estado Italiano) inaugurará em breve uma "Disney arqueológica" que atenderá pelo nome de "Megale Hellas"

A função principal do parque temático "Magna Grécia" (é a tradução do nome) seria então desviar as tais multidões turísticas. Para essas, um templo "inteirinho e reluzente" seria mais palatável ao consumismo "antropofágico" e pouco ilustrado da massa ignara que uma velharia empoeirada e caquenta. E se aquele primeiro dispuser de "public conveniences", uma lanchonete cheia de charme e uma lojinha de lembranças (shop, em vernáculo), aí meu amigo...

Embora traduza uma preocupação atualíssima e universal (basta lembrar o estado ao qual ficam reduzidas Ouro Preto, Olinda, Salvador, Diamantina e outras após o Carnaval por exemplo), existe um travo de iniludível elitismo na argumentação do caro professor:

"Antes, é preciso tirar proveito das tendências naturais

do turismo de massa, que levam a visitar indiferentemente

a 'Pietá Romana' última obra de Michelangelo, e o 'Mulino

Bianco', a locação de um famoso comercial de TV. Imaginem

quantas pessoas ficarão muito mais satisfeitas  com o falso

templo de Albanella, inteirinho e reluzente, do que com aquele

que sobreviveu com tanta dificuldade em Paestum. Que aquela

multidão onívora seja então desviada para Albanella e que

se deixe Paestum para os que o visitam com conhecimento

de causa." (destaquei)

 

Caso essa "moda", trombeteada por Eco como a salvação da lavoura venha a confirmar-se (o que é bem provável: o tempora...) significaria nada mais nada menos que a privatização da herança cultural da humanidade. Melhor dizendo a venda, como paródia daquilo que foi sendo construído por alguns iluminados, ao longo de milhares e milhares de anos, através de nosso humano desejo de transcendência.

   Sem falar que seria mais  um meio de concentração de riqueza nas mãos de poucos, em detrimento da maioria: os primeiros prejudicados seriam aqueles que desde tempos imemoriais, geração após geração, vivem em torno desses lugares explorando um pequeno comércio: desapareceriam,  inapelavelmente exterminados  pelo megaempreendimento. 

E em conseqüência viriam o desemprego, a deterioração do grupo social, o aumento da criminalidade, todas essas mazelas  já tão conhecidas pela triste repetição nos últimos anos.

Olhando para esse mundo construído com nossas mãos e nossas loucuras, vêm-me à mente as cenas do filme "Tempos Modernos", do Charlie Chaplin: principalmente aquela em que o operário perde o ritmo da esteira da linha de montagem,  se atrapalha todo e aí então começa atabalhoadamente a apertar parafusos e porcas, enquanto outros vão se soltando, e mais e mais... e tudo finalmente se desmantela!

Não existe solução. Pelo menos essas do tipo tão elogiado pelo mestre insígne, que antes representariam o agravamento da situação. O excesso populacional que ocasiona essa "multidão onívora", os problemas ambientais cada vez mais críticos, o ritmo desenfreado da depredação do planeta, isso tudo são conseqüências, não causas. Essas são as velhas  conhecidas, já de muitos séculos. A credulidade insana da espécie, que continua, como dizia Rousseau, bastante simples para dar crédito a essa mãe das empulhações que é a propriedade privada. O verdadeiro Messias será, ainda nas palavras do genebrino, "aquele que, arrancando as balizas e atulhando o fosso grite a seus semelhantes: 'não deis ouvidos a esse impostor; estais perdidos e esqueceis que os frutos são de todos e a terra é de ninguém!"

A partir daí, quando a Lei for a propriedade coletiva da terra e dos demais meios de produção, o resto será um processo natural. Essa que o professor, embora não nomeando expressamente mais se queixa, o excessivo aumento das hordas estultas, naturalmente iria diminuindo até se acabar. Qual patriarca restaria, afinal, que precisasse de mais e mais braços filiais para arar a "sua" terra?




[1] No número 25 da revista "Entre Livros"

domingo, 22 de junho de 2014

M I R A B I L E / V I S U



Nada faz o menor sentido. O tempo. O tempo cessa, os minutos e as horas tombam inertes, completamente impotentes numa lassidão final. Os segundos deixam de correr e de serem contados um a um. O universo inteiro congela em um infinitamente pequeno e imperceptível ponto.
E por incontáveis milhões de eras congeladas assim permanece. Mas então um ínfimo fiozinho de luz escapa e uma explosão monstruosa começa a despedaçar a concentração brutal de matéria contida no pequeno ponto. E, à medida que os pedaços se afastam do núcleo, o tempo começa a correr. As engrenagens todas movem-se novamente, a natureza vai fazendo o seu trabalho entrópico/dialético, os mortos voltam a se reintegrarem ao cosmos, lentamente carne, ossos, cabelos, dentes, se unem uns aos outros, separam-se a seguir, são agora minerais, átomos com memória quântica aglomeram-se, formam moléculas, estrelas surgem dessa matéria, planetas também, e logo água, terra, hidrogênio, oxigênio, gente. E tudo recomeça
  

                                               ENTROPIA

       As ubaranas saltaram rumo ao céu naquela faiscante tarde de verão e se imobilizaram no azul, formando ideogramas. Os pingos de água refletiram o sol e um arco da velha ao fundo completou o quadro. 

sábado, 21 de junho de 2014

Beethoven: Symphony no. 6 "Pastoral" (Furtwangler)

Furtwangler sabia das coisas... vejam que maravilhosa leitura da "Pastoral"!




sexta-feira, 20 de junho de 2014

RITOS DE VIDA


 

I - R I C T O S

 

 

Risos, risos. Um reconhecimento algo conformado que a vida passou. Rugas que se apresentam no espelho e delas, por fim,  confessamos a autoria. Fomos nós, foi a vida. Um reconhecimento algo constrangido,  que já vivemos. Um ligeiríssimo sopro de amor, de alegria, de esperança, e para cá tornamos. Moços outra vez. Manchados de batom, calças justas, signos, línguas justapostas. Sexo.

 Os velhos risos da infância são agora rictos, conformados pelas comissuras flácidas dos lábios rugosos. A mãe, a esperança, a alegria. A alegria. A festa de barraquinhas do Colégio Santa Maria,  antigo internato das tias quando mocinhas. A cidade e seus limites, a cidade e suas confrontações. Apesar de agredidos por sua grosseira e insultante mania conservadora,  como a amávamos! Apesar da intolerância, do preconceito, do reacionarismo, nada podia substituí-la. Como a amávamos!

            Era bom circular nas madrugadas pelas desertas árvores das avenidas. Ciciantes à brisa noturna, langorosas, agradecidas ao mijo e vômito eventuais despejados em suas altas raízes, era bom. Um mistério nos cercava e, conscientes disso, fazíamos por onde. Ignorávamos os enredos profundos, os enleios obscuros e indecifráveis.  O compromisso era simples: amá-la apesar de tudo, de sua insignificante pequenez, que, esse sim, um segredo compartilhado que nos tornava ainda mais cúmplices. As sombras nos sabiam, e nós, delas, conhecíamos as trilhas obscuras. Os bondes! sobretudo os bondes que nos transportavam para a aventura, para o delírio. As fantasias jamais concretizadas e entretanto reais. As fontes. As fontes luminosas, os coloridos das moças em seu natural recato de feras enjauladas. Exalando cio.

            Um ciciar nos bastava: conhecíamos o ondular das folhas tangidas, trânsidas pelos anseios do vento. Escutávamos os ritmos da terra e compartilhávamos de seus humores mais subterrâneos. Estávamos sempre no rumo do mundo, às conquistas que nos eram devidas, aos sorrisos a alegria que imaginávamos em toda a história do homem. Éramos felizes!

            E por fim nos recolhíamos, certos das certezas mais simples e também mais íntegras que se pode ter: um céu, uma terra que um dia nos acolherá, um amor devaneado e quem sabe possível...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Aniversário do Chico Buarque

Setenta anos, hein? Tem pelo menos cinquenta que eu venho aguentando você, seu peralvilho! Morro de inveja sempre que ouço os derramados elogios a você, até sobre seus livros já não falam mais tão mal assim. Caraca! Definitivamente nasceste "virado para a lua", cabra da peste! Que mais posso dizer que ainda não falaram, quais as loas e boas que te faltam? Nem umazinha, não é? Então  concluo desejando que você continue por muito tempo ainda me enchendo o saco de inveja com essa sua genialidade ímpar. Ah, sim: VIVA O FLU!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

  Sou o homem que virou mingau (ralo) de fubá.

domingo, 26 de janeiro de 2014

UIVAR PRA QUÊ?

 
 
Os homens de bem batem
e rebatem os longos cassetetes
o bandido mais se encolhe a cada golpe
enquanto mais homens de bem chegam.
chegam e batem. Voluptuosamente batem.
Como um balé, os movimentos adquirem plástica sonoridade
Mas o bandido morre de repente. Aí já não é mais bandido,

é gente, minha gente, gente como  a gente,
com o sangue escorrendo e molhando o papel de embrulho
O que será que ali se continha?
O bandido está em Kiev e é visto por bilhões enquanto morre
surrado pelas forças do bem.
O bandido fuma crack, seu porra! e leva pisão de coturno e cotovelo no nariz
aí vem a TV e ele é amparado pelas forças do bem e levado algures.
ninguém jamais voltou de algures.
Os homens de bem, eles todos possuem gordas panças
e braços musculosos. Batem bem, tomam conta de nós,
Estamos seguros.
O Mundo é Kiev, São Paulo, Rio, Miami, Bangladesh, Paris, Londres,
milhões de outros lugares onde os homens de bem estão presentes e atentos.
Ninguém precisa se incomodar nem mesmo ganir de leve:
estamos a salvo.
(Para Allen Ginsberg, que há muito tempo me enganou com versos lógicos e sensatos)