terça-feira, 12 de abril de 2016

A MAIOR INVENÇÃO DO HOMEM

 












   O EQUIVOCADO Monteiro Lobato, no seu utilitarismo aflito com as mazelas do Brasil,  escreveu  que eram na verdade três: a alavanca, o plano inclinado e a roda. Millôr Fernandes, nos tempos em que ia à praia, declarou que era o jogo de frescobol; já eu sempre achei que é o caleidoscópio. Seres que conseguiram inventar essa extraordinária inutilidade merecem um voto de confiança, sem dúvida. O jogo de "pega varetas" chega perto, mas acaba derrotado até mesmo pelo frescobol millordiano pelo aspecto competitivo que encerra. O campeoníssimo caleidoscópio, além de não ter sentido prático algum, sequer necessita de um parceiro. É você consigo mesmo e os pequenos fragmentos de vidro formando imagens aleatoriamente. Rigorosamente individual, basta-se a si próprio. Desnecessária a angústia da interpretação freudiana, a transcendência, a fé. É a perfeição contida em si mesma, a verdade sem atavios. 









segunda-feira, 11 de abril de 2016

"ISSO AÍ NÃO PASSA DE UMA GRANDE CAGADA!" (C. DeGaule)


 
     (Para Marcelo, Pedro Carlos e Antônio Gerson)

  FICOU FAMOSA a exclamação de Mestre Graciliano Ramos, já escritor consagrado mas que, depois de gramar cadeia por ser um "perigoso agente de Moscou",  ganhava modestamente o pão como humilde revisor no extinto "Correio da Manhã". O "bordão" daqueles tempos, entre os repórteres, era a expressão "via de regra". Era "via de regra" para cá, "via de regra" para lá, até ninguém aguentar mais. Principalmente um severo e exigente autor, como era o caso. Claro, o desabafo não podia ser outro, e o foi: em altos brados Graciliano disse "via de regra é bu...!" referindo-se ao termo chulo - ao menos no Brasil (em Portugal o grande Bocage o usava sem temor  em seus poemas) que designava o órgão sexual feminino.
     Ocorre que jornalista naquela época, era profissão donde a grande maioria provinha dos extratos mais pobres da população urbana. Quase todos não tiveram outro ensino que as primeiras letras, obrigados a mourejar permanentemente debaixo do aguilhão da fome. Essa tensão diária fazia com que compensassem a falta de formação profissional (e nem era reconhecida legalmente a atividade!) com uma esperteza "darwiniana", no sentido que só os mais aptos sobreviviam.
     Entre as diversas expressões consagradas pelo uso - mas ao mesmo tempo ultra maliciosas - está a minha preferida: "comoção intestina": lembro-me que logo após o golpe de 64 foi apropriada  pelos militares em seus mais sérios, ameaçadores e agressivos pronunciamentos. Tenho certeza que, à socapa, os jornalistas mais tarimbados deviam morrer de rir com aqueles coronéis e generais todos que jamais se aperceberam do real sentido do termo... E como naqueles infelizes tempos a repressão era ainda pior que na ditadura getulista, os escritores e outros homens de letras estavam em sua grande maioria na cadeia, sem poder gritar aos quatro ventos o significado verdadeiro da expressão: "COMOÇÃO INTESTINA É CAGANEIRA!!" E até hoje, nesses perfunctórios e melancólicos tempos em que perdemos a capacidade de autocrítica e a malícia natural do ser humano em favor de uma paupérrima obviedade, de uma insôssa e medíocre  literalidade, a expressão é consagrada nos mais conspícuos dicionários...

sábado, 9 de abril de 2016

DIVAGAÇÕES DE SÁBADO

     Lá se vão trinta anos ou mais que o falecido jornalista P. Francis havia alertado seus leitores para a posição de "fichinha" (gíria da época) do nosso país no que se refere a deslavada corrupção do mundo político. Era um "fenômeno" Não só dos EUA, Japão, China, mas de ocorrência planetária.
     Agora esses pilantras  batedores de carteira, descuidistas de todas as origens e cores, conspicuamente nos "brindam" com essa bandalheira do impedimento da Presidenta Dilma. Enquanto isso morrem à míngua centenas de brasileiros atingidos pela lama samarcuda. Nem sequer as doações feitas espontaneamente puderam ser recebidas! As autoridades municipais, estaduais e federais, idem os políticos das mesmas sórdidas origens, "tiram ouro do nariz" (Grande Carlos Drummond!)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

E CONTINUA A LESMA LERDA...



   ACHO que já falei sobre isso: Napoleão, da primeira vez capturado, ficou preso na Ilha de Elba. Fugiu e tomou o rumo de Paris. Na medida em que ia se aproximando da capital, seus antigos soldados iam se incorporando ao périplo; na mesma medida, a imprensa francesa mudava as manchetes diárias, indo de "monstro", "tirano", "assassino", até "imperador", "libertador", "salvador", "excelso" e por aí a fora.
     SEMPRE recordo dessa historinha vendo as manchetes do noticiário, tanto na internet quanto nos jornalões. Podiam ao menos preocuparem-se com a originalidade...