domingo, 6 de maio de 2018

FALANDO EM CRISE....


      CRISES servem para melhorar as relações entre pessoas de uma mesma sociedade. Há porém, exceções. Infelizmente.

sábado, 5 de maio de 2018

NOBEL DE LITERATURA



      AS CRISES geralmente são, ao final, extremamente saudáveis. Espécie de "vacina social" que acabam prevenindo nas diversas comunidades os necessários anticorpos que as ajudam a prevalecer sobre esses momentos.
      Vista assim é a atual situação da Academia Sueca, onde diversos membros a deixaram por conta de um escândalo envolvendo diretamente o cidadão  francês Jean-Claude Arnault, acusado de vários crimes sexuais por prolongado período. A esposa deste é exatamente uma das acadêmicas, portanto fazendo parte do colegiado que anualmente indica o vencedor do maior prêmio literário do planeta. E não só isso: ele é também acusado de ingerência na escolha de determinados vencedores dos últimos anos e de haver obtido algum lucro com isso.
      Esse escândalo, como usualmente ocorre em agrupamentos fechados e sobretudo onde os seus membros são vitalícios, a cada dia mais e mais se torna vexaminoso e acidentado em virtude daquilo que vai aparecendo na medida em que  se mexe mais no "monturo"
      Mas o lado bom disso é que, ao mesmo tempo em que situações escabrosas surgem, aparecem da mesma forma as necessárias correções de rumo que, uma vez adotadas - com a devida prudência que deve haver no caso -  levam com toda certeza à correções de rumo que acabam resultando em aprimoramento dessas instituições. 
      Esperemos que assim aconteça com a "Svenska Akademien": que ela se livre de seus antigos vícios institucionais e também dos novos, como tudo indica haver, no que diz respeito a certas insinuações de constrangimentos "por baixo do pano" de parte de poderosos grupos editoriais, assim como de diversos outros interesses mais ou menos escusos de alguns escritórios dedicados a agênciar literatos no mundo todo. Amém!   

sexta-feira, 4 de maio de 2018

JOGA PEDRA NO ANANIAS!



  
    
     ERA FIM DOS ANOS CINQÜENTA do último século:   um jovem chamado Ananias, recém-formado pela Politécnica, estava muitíssimo feliz. Havia conseguido um "bico" na prefeitura, onde era o encarregado do licenciamento de novas obras na cidade. Com o passar dos dias percebeu que poderia cobrar "um cafezinho" pela sua assinatura naqueles documentos. Até hoje o trêfego se lembra de um edifício em especial, chamado Wilton Paes de Almeida. Naqueles tempos esse era um sobrenome famosíssimo, por causa do banqueiro, industrial e político Sebastião Paes de Almeida, o "Tião Medonho" da imprensa.
      Esse edifício marcou época por ser um projeto que obedecia aos cânones arquiteturais daqueles vibrantes anos em que o Brasil, por causa principalmente de Brasília, pontificava nesse campo.
      Ananias imaginou que poderia receber um bom dinheiro com o licenciamento, ainda mais se opusesse algumas dificuldades antes de assiná-lo. Despedido sumariamente um ou dois dias depois de comunicar sua dificuldade aos construtores, ficou meses sem saber direito o que poderia fazer. 
      Então mudou o governo, Ananias pleiteou judicialmente sua recondução ao cargo, a sentença lhe foi tão favorável que recebeu em dobro uma "indenização" pelos meses do afastamento, além de ter sido promovido ex officio.  A nova função era exatamente a de fiscal de obras, o que equivalia a fortuna feita, naqueles tempos (e, veja bem: só naqueles tempos!)
      Rico, feliz, bem-casado e respeitado entre seus ratos, digo, seu pares, Ananias achou que havia atingido o ápice da sua vida profissional e cuidou de se aposentar. Justamente no dia, um fenômeno assaz curioso aconteceu com nosso herói.  Em um momento estava tomando banho debaixo de seu chuveiro importado de 130 graduações de quente-frio quando um relâmpago cegou-o momentaneamente. 
      No instante em que novamente conseguiu enxergar, foi percebendo que estava debaixo de uma lata de galão de tinta, com vários furinhos por onde a água (gelada) passava. Assustadíssimo, procurou a felpudíssima toalha de banho que sempre pendurava no gancho do box. Encontrou um trapo bem rasgado pendurado em um prego, ainda úmido do último usuário. Um rádio tocava música funk à toda altura, no fim do escuro corredor onde se achou, após abrir o tabique.

                                             I I

      Sem entender o que estava acontecendo, Ananias acabou por reconhecer determinada porta entre muitas outras, a qual estonteado abriu e deparou-se com sua esposa. Quase não a reconheceu de tão mudada: uma saia surrada, uma blusa esmolambada, uns chinelos gastos... um cabelo que de há muito não era tratado, unhas roídas nas mãos, a dos pés uma calamidade!
      Sentiu-se em seguida tomado por uma sonolência muito grande e mal conseguiu se estender em um leito no canto. Muitos anos depois Ananias levantou-se e foi cobrar os aluguéis daquele pessoal que morava no Paes de Almeida, que era tão familiar a si próprio embora ele não tivesse a menor idéia do porquê. 
      Passado uns dias do incêndio, foi assim que foi indo a coisa: uns disseram que ele tava enricando; outros que ele vendia o botijão por 120 paus e só podiam comprar na mão dele; outros ainda que a mulher dele...

sexta-feira, 30 de março de 2018

A HONESTIDADE ALHEIA

      O BRASILEIRO não aguenta mais. Corrupção, desonestidade, malas, cuias barris e baús com milhões inexplicados e inexplicáveis. clamamos diariamente aos céus pelo fim desse cancro, pela rigorosa punição dos culpados, pelo máximo rigor na aplicação das penas aos réus.
      ENQUANTO isso, colamos na escola, compramos diplomas, ultrapassamos pelo acostamento e damos um "cafézinho" ao guarda, roubamos no peso, vendemos alimentos vencidos, adulteramos velocímetros, colocamos no bolso um bombom na venda, paramos em vagas especiais sem a autorização, desobedecemos a lotação máxima determinada, enfiamos sutiãs na bolsa e slips no bolso, etc. etc. Ah, mas isso quem faz são "os outros". Claro.

PICARETAS & VAGABUNDOS

      ACABO de receber, do professor Rostand Medeiros, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - IHGRN, lamentabilíssima notícia sobre o estado calamitoso em que se encontram os arquivos desse importantíssimo acervo documental - não só do Brasil como de todo o mundo. sempre foi notório o interesse (e a cobiça) que  as nações européias tiveram pelas terras denominadas "américas". Não foi por outro motivo, aliás, que uma das mais arrojadas (até ao ponto da temeridade) das potências da época, o pequenino Portugal, ter-se adiantado às demais e, em  viagem de rota e curso pré-determinado, ter "descoberto" - e se apossado - desse enorme território chamado Brasil.
      EMBORA muito da documentação daqueles séculos não exista mais, muito ainda se tem guardado por espíritos de benfazejos viventes de épocas diversas. Esse vasto e valiosíssimo acervo encontra-se abrigado em quase todos os Estados do Brasil, precariamente conservados ainda hoje, muito mais pela dedicação denodada de pessoas como Rostand, do que por quem dele deveria se desvelar ao extremo, o próprio Estado Nacional. Tal desídia criminosa vem desde nossos colonizadores portugueses, os quais há pouco despertaram para essa riqueza sem preço e passaram, há ter uma consistente política de conservação e publicização desses papéis. 

  
      SE eram no entanto corajosos a ponto da valentia e do denodo contrastassem com  a prudência ou maiores cuidados, portugueses (a bem da justiça diga-se que também os demais povos) não possuíam outro tipo de interesse a não ser o saque exaustivo e predatório das terras ocupadas. Não havia interesse maior do Estado que não fora o de lucrar (após o pagamento dos empréstimos a juros feitos pelas bancas italianas e depois do Norte Europeu) da melhor maneira que pudesse. 
      Esse ponto-de-vista perpetuou-se ao longo de mais de 3 séculos: enquanto  Inglaterra, Espanha, Holanda, o Império da Áustria e outros foram percebendo que, para além dessa utilização primária e unicamente predatória do continente, outras formas lucrativas de ocupação haviam (povoamento e desenvolvimento com capitais privados - um pré conceito do que hoje se chama "parceria público-privada"). Por isso até mesmo a Espanha fez um movimento no sentido de conceder maior autonomia a suas colônias americanas, inclusive com a criação, já em 1538 de uma "Universidade" (embora conventual) na Ilha de Santo Domingo e de mais duas em 1551 em Lima e na cidade do México).
      Evidentemente não é escopo desse curto artigo apreciar com mais profundidade as complexas e diversas causas que fizeram com que Brasil e América castelhana sejam tão estranhos entre si. Nem como, apesar de tudo, o Brasil, mesmo capengando do jeito que vamos, tem sido mais e mais presente na cena mundial. O que lamento e vejo com bastante pessimismo é o descaso, a omissão criminosa e o desconhecimento do Estado Brasileiro de suas responsabilidades maiores com a própria história, com os seus patrimônios culturais, ambientais, e morais. O notável(!) abastardamento da classe política nesses tempos horríveis serve como causa e igualmente como efeito desse fenômeno, uma vez que os mesmos índices do inexistente desenvolvimento intelectual da grande maioria do povo, ao Congresso Nacional e aos demais poderes da República podem ser atribuídos. A vagabundagem explícita que campeia "do Oiapoque ao Chuí" traz embutida e colada ao inimaginável prejuízo econômico, perdas insubstituíveis de inteligências construtoras de nações. 

A PERGUNTA ÓBVIA


      APÓS esses últimos e conflagrados anos de condenações, inquéritos, radicalização tendente a violência explícita do populacho, ficamos com a famosa "pergunta que não quer calar" o Brasil é um país governável por alguém que não faça alianças do tipo que notoriamente seus governantes  "precisam" fazer (e desde sempre fizeram)? Quanto tempo um ser assim, incorruptível, demoraria a ser deposto? Somos um país cativo do "baixo clero"? Como vêem, são muitas as perguntas que faço. E infelizmente as respostas que me ocorrem são as piores possíveis.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

N O N A D A S



NESTAS CHUVAS ATUAIS
já deu manga, caju e pitomba
pitanga, jaca, melancia
mais passarim gordo e feliz.

O que não vi foi sapo.
Coaxa, sapinho
coaxa
nada de coaxar baixinho!

E VÓS ANUROS BELOS
verdes, azuis e amarelos
dai-me agora um som
sublimado e
do balacobaco
no meu tamborim ritmado.

CANTO DE SAPO
embucha fêmea
dá sapinho
que eles cuidam com carinho
e adispois viram girino.

POVOAM O RIO VERMELHO
embaixo da ponte da
Cora Querida
Cora, saudades
de você e dos sapos
que daqui já se foram também.
AMÉM.





quarta-feira, 27 de setembro de 2017

C H U V A



     
         APÓS quatro meses de seca, chove no Distrito Federal. Chuvinha manicotinha,  durando o dia todo. O solo, as árvores e os pássaros alegres como nunca vi. sabem por que?



      QUANDO CHOVE É QUE FAZ BOM TEMPO!!


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

BABEL SEMPRE

   




 A MAIS PERFEITA  das metáforas é exatamente a Torre de Babel; como poderia dar certo um bípede implume e ainda por cima falante?

sexta-feira, 24 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO - IV


     
      O caos permanente provocado por um tecido social de baixíssima qualidade, originado primeiramente pelo obscurantismo dos primeiros "descobridores", já eles patronos de um tipo de estado e nação ultrapassado e sem lugar no mundo, foi o pecado original da nossa sociedade.
      E de lá até hoje ainda não conseguimos nos livrar desse anátema, dessa abominação que nos tornou reféns de uma crise na qual tentamos ir sobrevivendo há mais de cinco séculos, ora recrudescente ora dissimulada, mas presente, sempre presente.
      É, convenhamos, maneira extremamente perversa e cruel de viver. Geração após geração, os sobressaltos se renovam. Os assaltos ao Estado se sucedem da parte dos mais ousados ou menos temerosos, a maior parte das vezes com sucesso, dada a fragilidade dos meios coibidores dessas ações perniciosas. 
      Além de extremamente incompetentes, as diversas agências governamentais criadas no calor de sucessivas crises e destinadas a combater e coibir tais práticas criminosas são em grande parte infiltradas por rivalidades políticas que as levam a competir entre si, até o ponto do entredevoramento. 
      Daí temos o funesto resultado da inocuidade dos famosos "rigorosa apuração dos fatos", "custe o que custar", "doa a quem doer", retórica despida de qualquer sentido prático, mendaz e perniciosa, que os divulgadores se apressam em tornar públicos, funesta prestidigitação que faz valer o rumor, a balela gratuita e mendaz, em lugar dos fatos.
      A nação debilitada e sem rumo segue presa de aventureiros de todo tipo, de assaltantes truculentos, finórios oportunistas, até grandes operadores de planos bem articulados. Os poucos justos se desesperam, vendo o esforço nacional ser espoliado por grupelhos e quadrilhas,  sem que a imensa maioria tenha acesso ao menos aos serviços e oportunidades obrigatórios em qualquer estado organizado. A justiça enreda-se em leis e regulamentos às vezes conflitantes, em recursos infindáveis e sem outro propósito que o protelatório deixando assim de cumprir seu papel de atender às demandas populares pela imensa distância na qual paira. Lerda e por isso mesmo extremamente onerosa, eivada de recursos a mais das vezes protelatórios, ainda por maior infelicidade é vítima de seus principais operadores. Estes que deveriam ser também guardiães da moral pública, infelizmente cultivam ao delírio o egocentrismo e o narcisismo mais boçal, falham clamorosamente  no dever fundamental a que se vincula: dizer a lei, jurisdicto; fazer chegar até o povo o devido processo legal que objetiva sempre, a Justiça. 
      Desse modo ferido, frustrado, afastado das riquezas que o país tão "generosamente" dispersa aos quatro ventos, seu povo rasteja no inferno periférico onde penam imensas parcelas do povo brasileiro. Esses infelizes, o Estado ignora-os; ou, quando para eles olha, é com a feroz mirada da repressão, pretextando zelar pela "segurança" e pela "paz social". Nessas camadas onde sobrevive precariamente a maioria, a convivência permanente com extremos da violência e de abusos inomináveis. De outra parte a obrigação estatal insculpida em nossa Magna Carta, saúde, educação, emprego, moradia, transporte, saneamento básico, luz, água, cultura, diversão, repouso remunerado e mais um sem número de obrigações são ignoradas pela criminosa omissão estatal.
      O brasileiro odeia e despreza o Estado; por que? Porque desde que começou a existir ele jamais se despiu da fantasia da imensamente arcaica contra-reforma, dos usos e costumes medievais. Parado no tempo, é generoso com pouquíssimos e verdugo implacável de quase todos. Pela sua própria constituição histórica que nunca abandonou e da qual jamais conseguiu evoluir, deixou-se envolver por uma muralha inexpugnável criada pelos oportunistas e aventureiros de toda espécie, que usufruem de todo privilégio e esbanjam toda a imensa riqueza de uma das maiores economias do mundo, deixando a população à míngua. 
(Continua depois)