quinta-feira, 22 de setembro de 2016

S E X O

VALHO-ME da letra de antiga música do compositor Chico Buarque, "A Flor da Pele" , onde o desejo sexual  é descaradamente descrito e mostrado como realmente é: puro instinto animal, sem meias palavras, sejam de censura moral, religiosa, penal, ou quaisquer outras. Se isso acaba em Freud, é provável. Até hoje o mundo não assimilou bem o que Darwin escreveu, imagine se vão aceitar a teoria de um médico judeu, austríaco, meio esquisito, destoante dos seus colegas acadêmicos, e de teorias assustadoras (porque reais)?
      ISSO tudo foi para declarar apenas o seguinte: não há sentido em dizer que uma pessoa é hetéro (prefiro pronunciar dessa forma), homo, bi, adepto do bestialismo ou de todas as "filias" já catalogadas ou ainda em vias de serem: Em matéria de instinto reprodutor, desejo sexual, libido etc., o verbo a ser utilizado deve ser o "Estar" , jamais o "Ser".  Aposto com vocês como, no momento em que isso for entendido e, principalmente, aceito pelo ser humano, as coisas melhorarão muito, mas muito mesmo. Influindo (para melhor)  nas relações macho/fêmea, nas sociais, nas nacionais e até mesmo no impulso guerreiro do ser humano. 
      Esta atual "civilização" baseia-se claramente na repressão dos instintos "animais" nos humanos. Agora, quando ela está nos últimos suspiros, uma vez exauridos (quase) todos os recursos necessários a sua sobrevivência, ainda acredito ser possível que dos escassos sobreviventes nasça um novo tipo de vida, no qual, antes de tudo, eles se aceitem mutuamente como "estão" a cada instante, sem pensarem no improvável e inconcebível "são".  
    Quem viver, verá.  

terça-feira, 20 de setembro de 2016

estupidez ilimitada



      Desalento. desolação. angústia. É a resultante do que percebo ao ver o Brasil hoje. Como se ainda vivêssemos na Década de 60 ou até antes, quando a moda era o desenvolvimentismo a todo o preço, a exemplo do "New Deal" e da industrialização do bolchevismo. Como se o mundo ainda fosse aquele, com pouquíssimos seres humanos  (1/3 da população atual), total desconhecimento das consequências causadas no bioma por tal doutrina.
      Agora, chegando cada vez mais rápido perto da extinção (qual o "bicho" mais ameaçado de ser extinto? Adivinhem!), não há um só político que preste atenção nesse descalabro. Fenômeno mundial, afetando principalmente países como o nosso, onde convivemos com um Estado "forte" perante o povo, e um(a)  "mocinha(o) dadivosa(o)"  ajoelhado(a) perante os patrões. Daí esses recordes sucessivos de desastres ambientais cada vez maiores e mais espetaculosos. Rasgar a terra com ferrovias, socavá-la com o peso das águas represadas, arrasar Itálias e Noruegas de extensões florestais significa (ainda!) "progresso"
      Como dizia antigo professor em MG, "no inverno vocês verão" É isso. Só.

domingo, 18 de setembro de 2016

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O BRASIL?


      NOSSA INGENUIDADE política nos traz acorrentados a crises, em sua maioria pré-fabricadas, as quais nos cobram um preço exorbitante pelo imobilismo no qual quedamos. 
      
      NÃO MAIS existem adversários políticos mas sim inimigos, à ponto de quase chegarem a eliminação física uns dos outros - e já chegaram inúmeras vezes.
      
       DITO ISSO, a conclusão possível é que todos, sem exceções, todos  aqueles que podem, puderam ou poderão usar de meios escusos para se locupletarem financeiramente, assim o farão.

      ENTRETANTO isso não é uma característica de determinado país ou de um povo em particular: característica humana,  é prática comum a todas as demais nacionalidades e etnias, tão antiga quanto as demais. "A ocasião faz o ladrão", um ditado antigo e infelizmente verdadeiro.

      O QUE PRECISAMOS é de mecanismos (não de leis, que já as possuímos em demasia!) efetivamente funcionais que previnam, coíbam e impeçam que, como atualmente, sejam essas ofensas penais tão facilitadas, tão corriqueiras. 

      EM NADA ADIANTA, a não ser a outros povos e nações - essa atitude generalizada de acusações mútuas e ofensas que por serem tão comumente utilizadas alcançaram o patamar de coisas triviais e, na prática, inofensivas. Trivial e inofensivamente tão cancerígenas a um povo, a um país como todo.

      JOGAMOS PEDRAS uns nos outros; isso é extremamente gratificante, à medida que nos dá impressão de, com isso, ficarmos isentos da culpa que temos: será? 

      FAÇO MINHAS as palavras daquele sábio homem que admoestava os agricultores que insistiam em cuidar da folhagem das plantas: "atentem, oh néscios! Curem as raízes, a infraestrutura; é assim que se curam  plantas e  povos! Cultivem-nas e as eduquem, o resto acontecerá per si!"  

      PENSEM bem: o Brasil, dessa forma dividido e em vias de radicalização irreversível, a quem aproveita? Cui Prodest ?    


terça-feira, 6 de setembro de 2016

MAIS DO MESMO








 QUE podemos esperar então, da vida (do espelho?) se tudo o que percebemos é a imagem esmaecida, já, do passado? Quando estamos para nascer, já nascemos? Nosso choro primal antecede o da matriz? E a morte, o que é? Quando, afinal morremos? Em que instante deixamos de ser e nos tornamos nada?
      O presente inexiste? O que pensar do futuro? Nos movemos no pretérito; o que veio antes, se nunca há o depois? A impunidade derivada do presente do verbo "ser" se aplica? Alguma vez serei? Deixarei alguma mensagem aos pósteros? 
Existirão, estes?
      Ah, a vida, esta então deve ser um vir-a-ser contínuo e jamais alcançado e, por isso mesmo, nada mais ilusório que aquilo chamado realidade, não é mesmo? Pois movendo-me idealmente na velocidade da luz, nem mesmo um borrão fugaz e controverso poderia perceber, ao contemplar-me em um espelho...

ALICE E O ESPELHO


     ALICE jamais conseguiu adentrar o espelho. Simplesmente porque ele nunca está lá*










* O que se enxerga no espelho é somente uma imagem do passado. Entre a sua mirada e a volta do reflexo (luz) passa-se uma infinitamente ínfima fração de milionésimo de segundo, entretanto significativa o suficiente para que a imagem esteja no passado**





** Por isso podemos concluir que "o presente não existe" pois só podemos perceber o que já passou***





*** "vida es sueño" disse uma vez o poeta(1); estaria ele se referindo a esse paradoxo?




      (1) =  Calderón de La Barca