terça-feira, 21 de março de 2017

A LISTA DO SUPERMERCADO DA CORRUPÇÃO - Parte III

      A universalidade e a antiguidade histórica da corrupção são facilmente percebidas ao longo da vida dos homens. Do mesmo modo, observamos tratar-se de uma pandemia, cujo vírus circula livremente, contaminando um país ou uma vasta região, não respeitando fronteiras ou hemisférios. Sofreram dessa peste nos anos 80 os japoneses (lembram-se? quedas sucessivas de primeiro-ministros e respectivos gabinetes? Suicídios, julgamentos espetaculosos tipo "lava-jato", etc?). Da mesma forma foram vítimas os suíços, dinamarqueses, ingleses, italianos, chineses, etc. Enfim não há no mundo um só recanto imune a essa praga.
       A sofisticação dos meios e modos com os quais ela, - talvez a partir do momento em que  tornamo-nos agricultores e criadores -  sofisticou-se e avolumou-se aos incríveis padrões e números da atualidade, mostra-se ainda mais cruel em países como o Brasil e assemelhados.
      Isso porque nosso país mal e mal consegue - ainda nos dias de hoje - dar os primeiros e tímidos passos rumo à descolonização. Afinal, independência não é um grito, um gesto, um momento: é todo um clima que ocorre em todos segmentos sociais, trazendo consigo a maior de todas as qualidades intrínsecas as quais o homem moderno pode aspirar: a da sua cidadania. Sentir-se dono, proprietário e, sobretudo, responsável, juntamente com sua coletividade, pela terra em que nasceu e viverá até o fim. E na qual viverão  seus descendentes.
      O pior dos males da colonização é exatamente esse (do qual ainda padece imensa parcela de brasileiros): o sentimento atávico de inferioridade, acrescido da visão equivocada de que esta terra é de "alguém" a nós estranho, de onde devemos arrancar tudo o que pudermos, de qualquer  maneira - seja legal, ética e moral ou não -  e rapidamente fugirmos para o nosso verdadeiro "país" , um shangrilá sebastianista que ainda persiste num imaginário social equivocado e sem sentido.
     (Continua)

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