quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A LUTA DIÁRIA

APENAS começamos a arranhar o verniz do intrincadíssimo sistema da Natureza Terrestre. Ainda será necessária mais de uma geração dedicada a intensivos estudos sobre o tema, para que os diversos biomas e a interação entre eles seja minimamente compreendida.
      O que já sabemos, entretanto, e a prática comum da exploração dessas riquezas em nosso benefício cada vez mais se distanciam, em nome de um suposto "progresso" de uma ultrapassada noção de "desenvolvimentismo" que põe em risco a própria sobrevivência humana.
     É lamentável, para dizer o mínimo, que em todo o amplo leque de pensamento político agindo no Mundo, não se veja traço sequer, de ações efetivas de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento do tema. A falácia da COP-21 realizada em Paris no último ano, demonstra claramente que os líderes dos 195 países que assinaram o acordo - que determina ações efetivas de diminuição de emissões de gases nocivos a partir de 2020(!!) agem conforme lhes é determinado. E quem é que determina esse modo de agir que é o de sempre adiar e adiar as providências necessárias? O "mercado".
     Os papéis estão atribuídos a cada um dos países, não importando a inclinação política, a riqueza ou o grau de desenvolvimento de cada um. Assim que ao nosso, o Brasil, continuamos como sempre fomos: exportadores de insumos, tais como ferro, produtos agrícolas, carne, terras raras, outros minerais, etc. 
     Não há, seja da parte do último governo eleito, seja da parte do atual, alçado ao poder por meios altamente discutíveis se não ilegais, menção alguma ao tema. E ainda pior, a própria população, excluída uma minoria heróica porém estatisticamente desprezível, não se sensibiliza quanto ao tema. Ninguém percebe o que estamos fazendo em nosso território, deixando para os sucessores, terras envenenadas pela monocultura, pela criação intensiva a qualquer custo, pela extração desenfreada de riquezas minerais e outras ações duplamente perniciosas: não há um controle governamental para regularizar essas práticas, e portanto elas somente geram riqueza para pouquíssimos, em detrimento da imensa maioria.
     Apesar de poucos se sensibilizarem, a luta diária das instituições, geralmente privadas, que alertam o país a respeito da importância fundamental de ações regulatórias destinadas a impor limites ao saque, esses organismos não são compreendidos e muito menos acatados, quer pelo governo - qualquer que seja sua cor política - quer pelo povo. Não vejo, nessa peleja, um David enfrentando Golias: antes um desdém de um país como um todo, incapaz de imaginar o dia de amanhã.

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